Trânsito: menos dinheiro e mais vontade
Está certo o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, Nelson Brandão, quando afirma, em declaração a este jornal, que a solução dos problemas do trânsito na cidade depende menos de dinheiro e mais de criatividade do poder público. Na sequência de reportagens sobre a história de Londrina a Folha demonstrou que os loteadores ingleses erraram ao planejar as ruas, pois esperavam uma população máxima de 30 mil habitantes e não os cerca de 500 mil de hoje. Assim, as ruas que deveriam ser mais largas resultaram estreitas. Mas se previsões do passado foram equivocadas, as autoridades encarregadas do sistema de trânsito urbano, hoje, devem buscar soluções alternativas à luz da realidade atual, que é visível e previsível, e para isso existem os recursos da engenharia de tráfego.
Não serão funcionários de carreira da Prefeitura, guindados aleatoriamente a cuidar do sistema viário, que irão encontrar fórmulas. O que poderão fazer é repetir a imprevisão dos ingleses. Se os números já apontam para 187.568 veículos automotores registrados em Londrina calculando-se que mais da metade deles esteja em circulação nos dias e horários de expediente o novo prefeito que assumir dentro de seis meses terá de debruçar-se sobre a questão, pois o tráfego é uma séria questão nesta cidade que gira sobre rodas, pela enorme proporção de veículos na relação com o número de habitantes.
Toda Londrina precisa ser redimensionada no que respeita ao trânsito, e os itens são múltiplos: mãos e contramãos, semáforos, sinalização, identificação de bairros e ruas, alargamentos e duplicações, viadutos, vias rápidas para ônibus, abrigos para usuários do transporte coletivo, vias para motocicletas e bicicletas, melhor uso do estacionamento nas ruas, incentivo à implantação de estacionamentos particulares e barateamento de preços, estacionamentos subterrâneos ou elevados, facilitação para embarque e desembarque, nas ruas, de passageiros de automóveis, a questão da zona azul e dos ''guardadores'' de carros, abusos das caçambas captadoras de detritos, incentivo ao uso do transporte coletivo, melhoria das calçadas, sinalização que também contemple o pedestre, policiamento para melhor prestação de serviço e orientação e menos indústria de multas, a questão do espaço de estacionamento defronte de empresas, facilitação do tráfego nas ruas de maior fluxo e inclusive projetos de metrô para o futuro.
Até como medida de economia de combustível, todo o sistema precisa ser melhorado. Os recursos financeiros virão na esteira de projetos bem fundamentados. Na busca dessas soluções, devem sim, os técnicos, ouvir também os usuários das vias públicas motoristas de coletivos urbanos, taxistas, mototaxistas, condutores comuns, pedestres. As soluções serão encontradas na prática, porém de forma profissional e não amadorística, porque já se foi o tempo das carroças e dos carroceiros.





