Trânsito em Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de dezembro de 2004
Walter Costa Barroso 
Em tempo de renovação de propostas e condutas a serem adotadas na próxima gestão do reeleito prefeito Nedson Micheleti, um dos setores sempre citados nas discussões de formulação de propostas políticas é o nosso caótico trânsito - sem dúvida nenhuma como um dos maiores problemas enfrentados pela nossa geração.
A realidade de projetos urbanos de cidades que foram projetados quando o tráfego era à base de bondes, charretes e bicicletas choca-se frontalmente com cidades como Londrina já com seus 180 mil automóveis. Como evitar que nossa cidade fique completamente comprometida e com recuperação difícil como São Paulo, por exemplo? Nosso primeiro plano viário é complicado, mas a expansão da cidade já foi criando um planejamento de equilíbrio. Isto quer dizer que Londrina ainda tem jeito. Esta solução está ao nosso alcance desde que vontade política e prioridade sejam contempladas em avançar com determinação e ousadia.
É preciso planejar e estudar cientificamente o nosso trânsito. Não há mais lugar para amadorismo. Chega, Sr. Prefeito, de leigos como nós empunhando bandeiras educativas de trânsito ou de dirigentes vindos de áreas políticas a ocupar cargos de tanta relevância. A sociedade como voluntariado deve atuar em comum acordo com as autoridades, desde que pedagogicamente inserida. Como sugestão tenho a ousadia de propor algo que pudesse dar início a essa transformação.
Sabemos que o trabalho de gerenciamento do trânsito em Londrina é feito por uma diretoria da CMTU. O tamanho e o volume de atribuições não podem ficar restritos a uma diretoria nem sempre equipada e sem dotações orçamentárias para um projeto de maior consistência. Sabemos também que o quadro de funcionários do trânsito, que preconiza o Código Nacional de Trânsito, foi fundido com o restante do quadro da CMTU. Hoje o mesmo educador de trânsito é o mesmo agente que fiscaliza feira livre, camelôs e códigos de posturas. Esta fusão foi uma manobra para que os recursos da chamada 'indústria das multas' pudessem ser gastos pela companhia sem atender o que determina também o CNT. Pior ainda foi a descaracterização daqueles educadores de trânsito que eram tidos como embriões de uma futura estrutura de especialistas em trânsito.
Propor a criação de uma Secretaria de Trânsito em Londrina não é nenhum despropósito, uma vez que temos no município outras secretarias que também contemplam setores específicos. Sugiro, portanto, ao Sr. Prefeito, que convoque as pessoas deste segmento para discutir uma política pública que atenda aos interesses pertinentes ao assunto. Outra sugestão ao Sr. Prefeito é que estude de imediato a possibilidade de transferir para o Ippul toda a estrutura de trânsito existente, pois lá sim poderia ser iniciada essa verdadeira revolução no trânsito de Londrina.
Walter Costa Barroso é membro do Conselho de Trânsito de Londrina
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