Entrevista com o delegado de Trânsito em Londrina, Valdir Fernandes, e reportagem publicada ontem neste Jornal, evidenciam um fato de todos conhecido, que é a irresponsabilidade de muitos motoristas, mas o problema da cidade é também a pouca dedicação do poder público a muitos itens do sistema viário. Se condutores de veículos - carros e motos - abusam e geram acidentes e mortes, estão evidentes também falhas de sinalização e da infra-estrutura instalada, que há muitos anos não passa por reestudo e modificações. A cidade cresceu e o número de veículos também, mas faltam adaptações para melhorar o fluxo e diminuir o favorecimento a infrações e acidentes.
Há que endurecer com os infratores, mas os agentes municipais de trânsito também precisam converter-se em coordenadores do ordenamento do tráfego, porque eles só o fazem quando há obra pública em algum lugar, mas não regularmente, em especial nos pontos de conflito e nos horários de pico do tráfego. A presença do agente para orientar certamente diminuiria o risco às pessoas (pedestres, motoristas, passageiros) e ao patrimônio (veículos, iluminação, muros, residências, estabelecimentos comerciais). Os agentes municipais raramente são vistos executando funções de coordenação do trânsito. Em certos locais e horários eles deveriam estar no meio na rua e não na calçada.
Há anos que não se faz em Londrina um reexame de mãos e contramãos, de alterações em sentidos de tráfego, e sobretudo não se tem estudado fórmulas de ampliar os espaços de estacionamento. Se as ruas continuam da mesma largura e o número de veículos aumenta continuamente, há que encontrar outros meios, porque a questão não é só de fluxo mas também de paradas. Uma lei municipal deveria obrigar que todas as construções comerciais novas na área central - mesmo as pequenas - tenham garagem subterrânea ou nos fundos, de forma a descongestionar as ruas. E assim também atenuar a delicada e controversa questão da zona azul. O estímulo ao uso do transporte coletivo é também uma campanha que precisa ser deflagrada, para diminuir o número de veículos nas ruas e também a poluição, nestes tempos de alerta sobre o aquecimento global.
Já se tornou ocioso falar da falta de sincronia plena dos semáforos, incluindo os de sete tempos, que em Londrina ainda parecem um sistema em experimentação, quando em Maringá (que o inventou e primeiro o implantou) isto já funciona há 40 anos. Mais e melhor sinalização, mais canaletas, mais rotatórias, menos semáforos. (Estudo da Volvo, publicado na imprensa nacional, demonstrou que há mais cacos de vidro - de carros acidentados - onde há sinaleiro do que em outros pontos das ruas e das pistas de maior movimento). Eliminar semáforos e abreviar o tempo do vermelho/verde favorece a marcha nas ruas-tronco e nos cruzamentos. Os itens a observar na problemática do tráfego urbano são dezenas. Na atual Londrina, de 500 mil habitantes e 200 mil veículos automotores, há quase tudo por reformular no sistema viário.

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