Trânsito e mortes
Estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em dados da Polícia Rodoviária Federal, aponta para uma estatística estarrecedora: o Paraná lidera o ranking de pedestres mortos em estradas fedeais em 2014. Das 1.204 mortes registradas no País no ano passado, 11,7% ocorreram no Estado. Ao todo foram contabilizados 4.144 atropelamentos, com 1.912 feridos graves. A Região Sudeste (33,1%) foi a de maior incidência, seguida pelo Nordeste (31,4%) e pelo Sul (23,6%).
Embora o índice de ocorrências seja bem menor do que as colisões entre veículos, a letalidade é muito maior dada à vulnerabilidade do pedestre frente a um veículo. Uma observação pertinente é que os trechos mais críticos estão na área urbana, com grande circulação de pessoas. Tanto que a maioria dos acidentes ocorre entre as 18 e 20 horas, horário de saída de grande parte dos trabalhadores. Nessas estradas a velocidade média determinada é de 70 quilômetros por hora, incompatível com a circulação de pessoas.
No ano passado aconteceram 169 mil acidentes no País que mataram 8.227 pessoas. Esses números geraram prejuízo de R$ 12,3 bilhões. São gastos que poderiam ser reduzidos, principalmente no sistema de saúde e na previdência social setores bastante importantes para o País e que estão deficitários. Além disso, somados aos acidentes nas estradas estaduais e municipais, o prejuízo total pode chegar a R$ 40 bilhões cifra superior à que é gasta pelo poder público com a melhoria da infraestrutura rodoviária e com campanhas educativas de trânsito. O Brasil está entre os líderes de acidentes de trânsito em ranking elaborado pela Organização Mundial de Saúde.
Os números indicam a necessidade urgente de campanhas educativas, da intensificação da fiscalização e de obras que contribuam para redução dos acidentes. Não basta ter leis se não são cumpridas. Além disso, há imprudência tanto de motoristas como de pedestres. A população precisa ser educada, não basta apenas aumentar a frota quando a infraestrutura urbana e das estradas permanece a mesma.





