Trânsito e infrações do poder público
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina pouco ou nada faz para melhorar o tráfego urbano, e quando faz, não completa o trabalho ou comete trapalhadas, como a instalação ilegal de videovigias na Avenida Brasília, que é uma via federal. Agora o Ministério Público ordenou a retirada deles, podendo além disso acionar judicialmente a Prefeitura e obrigá-la a devolver as multas cobradas. Na ânsia de instalar equipamentos de arrecadação, a diretoria de trânsito daquele órgão colocou olhos eletrônicos não apenas naquela avenida-rodovia mas também em vários outros pontos da cidade, sem municiá-los de semáforos especiais, que evitem surpresas e até acidentes. Também colocou guardas municipais nas ruas, e ao que parece apenas para multar, porque raramente eles são vistos dando alguma orientação aos motoristas ou prestando serviço de desafogo do tráfego em horários de pico e nos lugares de mais conflito.
Alguns guardas se escondem em pontos estratégicos como este jornal já comprovou certamente para surpreender o motorista em alguma falta, quando sua função primordial é apresentar-se ostensivamente, para alertar os condutores tendentes a cometer infringências e para auxiliar na fluidez dos veículos e pedestres. Esta a função do agente de trânsito, hoje mais convertido em punidor do que em auxiliador. Não se justificam de forma alguma as irregularidades cometidas por motoristas infratores, mas o poder público é também um infrator. Vejamos:
Instalar videovigia em lugar não permitido é uma irregularidade. Instalá-lo onde não há semáforo de sete tempos é uma imprudência, porque com o sinal de três tempos o motorista nunca sabe a que hora ele vai fechar e também não sabe o exato momento em que o detonador da multa é acionado. Então, se ocorre de fechar o verde de repente, ele breca abruptamente, podendo provocar colisão de quem vem atrás. Quem se postar, por exemplo, na esquina das ruas Pernambuco e Goiás onde existe o videovigia e a geringonça de três tempos pode constatar isso. Há semáforos demais na cidade, e todos sem sincronia, porque esta só funciona em pequenos trechos, e assim não ajuda em nada se logo adiante o sistema muda. A atual diretoria de trânsito da CMTU nunca fez um estudo para evitar acidentes e, também, facilitar o estacionamento. Vias de grande tráfego como a Higienópolis, que leva a shopping, a hipermercado e um núcleo universitário, deveria merecer tratamento especial, com preferência para o verde na sua relação com as vias secundárias. E não apenas essa via, mas várias outras; e não apenas esses problemas, mas inúmeros mais.
Londrina é moderna em tantas coisas, porém conserva coisas medievais na sua estrutura de trânsito, como no tempo das carroças dos pioneiros. E por que tal ocorre? Não por falta de dinheiro, mas porque não há especialistas nessa área, na CMTU. Os que cuidam do setor são funcionários de carreira, portanto despreparados e nem se pode atribuir-lhe culpa, senão aos seus chefes. Há que buscar técnicos onde eles se encontrem. Com 170 mil veículos automotores registrados no município e em torno de 100 mil deles trafegando na cidade nos dias e horários de expediente, já é tempo de a Prefeitura equipar adequadamente esse setor. O sistema viário de Londrina pode ser substancialmente melhorado, não a partir de grande investimento mas sobretudo de boa vontade.
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