Recentemente, a inglesa Brenda Holmes cedeu o vídeo que registra o momento da morte de seu filho em um acidente de moto para que o filme fosse usado em uma campanha por mais segurança no trânsito. David Holmes, de 38 anos, utilizava uma câmera acoplada ao capacete quando colidiu, em alta velocidade, com um carro. A atitude da mãe pode chocar algumas pessoas. Mas se a intenção era chamar a atenção dos jovens para os riscos da imprudência na direção, a mulher conseguiu sensibilizar motoristas de muitos países.
Em tempos em que as câmeras de celular e de segurança filmam tudo, alguns vídeos de desastres disponíveis na internet escandalizam demais. Assim como são um escândalo os números de mortes no Brasil e no mundo em decorrência de acidentes de trânsito. Em 2010, eles foram responsáveis por causar 1,24 milhão de mortes em 182 países. Entre 20 e 50 milhões de pessoas sobreviveram a essas ocorrências com traumatismos e ferimentos. Se nada for feito, a Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que no ano de 2020, os 182 países pesquisados terão 1,9 milhão de mortes no trânsito. Em 2030, o número pode passar para 2,4 milhões.
No Brasil, esse índice também é muito alto. Segundo a OMS, são 60 mil mortes por ano. É para tentar reduzir esses números que a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o período de 2011 a 2020 como a "Década de ações para a segurança no trânsito".
Por enquanto, o Brasil ainda não conseguiu ajudar a ONU a alcançar o objetivo. De 2011 a 2012, o aumento no número de pessoas que perderam a vida em desastres envolvendo veículos, motos e bicicletas foi de 2,5%. Para tentar mudar esse quadro, há alguns caminhos importantes que passam pela educação, fiscalização, punição para motoristas infratores e investimento em segurança nas vias públicas.
Enquanto ação educativa, começou na última quinta-feira mais uma edição da Semana Nacional do Trânsito, que este ano tem como foco a atenção ao pedestre. O projeto do Conselho Nacional de Trânsito é importante e, infelizmente, esse programa não encontra nas empresas e escolas públicas e privadas um espaço generoso para discussão e conscientização da população sobre segurança nas vias urbanas e nas estradas. O Brasil precisa deixar de tratar a violência no trânsito como algo imprevisível e trabalhar o assunto como um problema de saúde pública.

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