O sistema viário é um forte componente no conjunto de mecanismos estruturais das cidades. No caso de Londrina, ainda mais: pelo grande número de veículos (1 para cada 4 habitantes), ruas estreitas, poucas avenidas, poucas rotatórias, nenhum túnel nem viaduto centrais, nem metrô e nem vias rápidas, ausência de estacionamento subterrâneo nas lojas e na maioria dos bancos, nenhum critério inteligente para estacionamento nas ruas, policiamento mais punidor que auxiliador, e mania pelo uso do carro mesmo nos pequenos percursos.
Já é tempo de criar uma lei municipal obrigando que toda edificação nova (mesmo de um só pavimento) tenha garagem subterrânea, quando em zona comercial ou de serviços ou com tendência de vir a sê-lo=========. Já não dá para dissociar o veículo da vida das pessoas, então é preciso pensar seriamente nele e em como abrigá-lo, rodando ou parado, da mesma forma que nos preocupamos com emprego, moradia, saúde, educação e lazer para os cidadãos.
Londrina tem uma predominância de carros novos em circulação, e isto é sinal de riqueza; tem uma grande quantidade de cidadãos de classe econômica baixa que passaram a ter seu primeiro veículo (todos, é verdade, muito velhos), e isto - com todas as vantagens e desvantagens - é também sinal de melhoria de vida. A vantagem é a satisfação pela posse do transporte próprio e o conforto que traz, afora uma certa vaidade pessoal; a desvantagem é o inchamento do tráfego e o perigo que esses veículos oferecem, porque enguiçam pelas ruas, atrapalhando o fluxo, e seus freios e direção não garantem segurança. Carro tem que ter uma idade-limite para circular, a menos que seja comprovadamente bem conservado. Que nos desculpem os pobres, mas veículo que oferece perigo tem que sair de circulação. E esses novos proprietários de automóveis, talvez na euforia pela posse da máquina, têm abusado na velocidade e no barulho. Ricos e pobres têm o direito de ter carro, mas os cidadãos têm o direito à segurança e à vida.
Entre os voadores e barulhentos estão os motoqueiros ‘‘entregadores de pizzas’’. Eles precisam ganhar a vida, sobreviver, mas o que se quer é justamente que sobrevivam... e que sobrevivam os pedestres ameaçados de atropelamento e de terem os tímpanos estourados. Aliás, no caso de automóveis e motos, por que não punir quem fabrica, quem vende e quem instala esses equipamentos incrementados?! Com os equipamentos de som nos veículos, a mesma coisa.
Não há nada mais brega que velocidade e escapamento e som estridentes.
Também é preciso acabar com esse abuso dos ‘‘guardadores’’ de carros. Porque o cidadão paga impostos e a rua é pública; paga IPVA para ter o direito de circular e estacionar. Não falamos desses pobres meninos que se oferecem para cuidar, mas dos grandalhões (e nem todos) que impõem preços (de 3 a 5 reais) e ameaçam danificar o carro e até guinchá-lo, não se sabe com a conivência de quem. Chegam a usar colete semelhante ao de policiais de trânsito. Defronte de algumas casas noturnas eles nos obrigam a estacionar sobre a calçada (em diagonal para que caibam mais carros), com isto nos forçando a cometer infração. Esses ‘‘guardadores’’ têm tanto poder quanto os policiais. Se a Prefeitura e o Detran permitem tais abusos, tudo bem, mas então que não nos cobrem IPTU e IPVA. Aí ficamos por conta dos ‘‘guardadores’’ e iremos exigir que eles tenham empresas organizadas e nos garantam seguro contra danos e roubo, por aquele número de horas, e tudo devidamente documentado.
E os tapumes das construtoras. Um abuso, porque invadem metade das calçadas, e a outra metade às vezes fica entulhada de tijolos e outros materiais da obra. E mais: danificam as calçadas. Para acabar com este abuso o poder público não precisa de dinheiro, mas apenas tomar decisão. Porque as construtoras obedecem, sem grilo. Basta determinar.
Essas caçambas recolhedoras de detritos, é preciso um regulamento para elas, porque a maioria não tem sinalização florescente, têm um feio aspecto pela pintura velha, e algumas são colocadas de qualquer jeito. Em pontos estrangulados (por exemplo entre duas saídas de garagens) muitas vezes são largadas bem no meio, ocupando dois espaços ao invés de apenas o seu. Deveriam ser fechadas, para que os detritos não fiquem expostos. Algumas ficam no lugar até duas semanas.
Sinaleiros: temos o exemplo do sistema inventado e implantado em Maringá. Faz quase trinta anos que funciona, e muito bem.
E as feiras-livres. É preciso beneficiar os feirantes (que nem sempre praticam preços mais baixos que os supermercados), e os usuários, mas a Prefeitura tem que liberar o tráfego normal de veículos através delas. Há que respeitar quem paga pelo direito de ir e vir. E a barulheira que os quiosques de pastel, nestas feiras, fazem pela madrugada, com o vozerio e rádios ligados?!
E se falamos de trânsito, é bom lembrar dos pedestres e atentar para a má conservação das calçadas. Se conservá-las é atribuição do dono da propriedade em frente, então que a Prefeitura cobre dele. Londrina já começa a ficar ‘‘envelhecida’’ e está tardando uma campanha pela melhoria das calçadas, e por extensão dos muros. Para isto não é preciso dinheiro público mas apenas exercício de administração.
Mulheres ao volante. Faltou espaço. Fica para o próximo milênio...

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