Álvaro Grotti, diretor de Trânsito da CMTU, em Londrina, diz que são poucas as multas aplicadas na cidade pelos agentes de trânsito. Ano passado foram cerca de 20 mil multas, média de 50 por dia. ''Se nesses 40 minutos em que nós estamos conversando, estivéssemos ali, na esquina, com um talão, e, se tivéssemos competência para isso, nós, com certeza, já teríamos multado uns 20 motoristas falando no celular.'' Para ele, o jargão ''indústria da multa'' esconde o desrespeito à legislação. ''Bate-se tanto na questão dos direitos, mas, na hora dos deveres, nos escondemos. A culpa é sempre do governo.''

Londrina tem uma indústria da multa. Isto educa?
Não existe indústria da multa. É só sair na rua durante uma semana, fotografar e verificar: O número de multas aplicadas é absurdamente inferior ao número de infrações. Vejo como um grande desrespeito pela legislação. Cem por cento das pessoas que recebo aqui são uns ''cordeirinhos'', que nunca cometeram infração. O agente é que está errado.

Uma reclamação é que os agentes ficariam escondidos...
Inclusive agora fiz um ''convênio'' com o exército, e os agentes vão usar uniforme de camuflagem. Nunca vi tanta árvore para os agentes ficarem escondidos. É por isso, inclusive, que a Sema não poda as árvores, para os agentes poderem ficar escondidos atrás, em cima, embaixo das árvores. É ridículo esse tipo de acusação.

Quantos agentes de trânsito atuam na cidade?
Hoje, temos 30 agentes, em três turnos Especialistas de trânsito dizem que é preciso um agente para cada 2 mil veículos. Para atender à cidade, precisaríamos ter 120 agentes.

Quanto se arrecada com as multas?
Em média, R$ 300 mil por mês Muitas vezes, não paga o custo operacional da diretoria de trânsito, que é todo o pessoal de sistema viário e semafórico, os investimentos, os agentes de trânsito, a frota, o combustível, tudo o que necessário para a cidade não parar.

Onde se investe esse dinheiro?
O dinheiro todo é investido - inclusive por força de lei, por força do código - na fiscalização, sinalização e educação do trânsito.

O dinheiro das multas não pode ser usado para tapar buracos?
A lei não permite que se invista em asfalto e recapeamento. Além disso, não teria verbas para esse investimento. A secretaria de obras é que tem.

Outra questão bem complicada do trânsito são os flanelinhas. Existem pontos em que há, inclusive, preço para se deixar o carro...
Essa situação é um absurdo. Vira e mexe, o assunto volta à baila e aparecem soluções mirabolantes. O problema do flanelinha não é de vaga. É uma questão social, de políticas públicas, de capacitação e formação dos jovens. E, principalmente, de segurança. Se o cidadão se sente extorquido, deve chamar a polícia. Se o flanelinha risca o carro, quer que pague adiantado, chame a polícia. Esse é um problema que a polícia tem que resolver. Você acha que o garotão que dorme até às 12h e, às 17h, coloca bermuda, regata, chinelão e vai para frente do Teatro Marista, de um bar ou restaurante, e ganha todos os dias seus R$ 20, R$ 30, R$ 50, vai querer carteira assinada, horário de trabalho, chefe enchendo o saco? Não vai. Quando falo que flanelinha é problema de polícia, amanhã terá uma carta na FOLHA dizendo que a CMTU não cumpre seu papel. A CMTU virou as grandes costas quentes da administração. Todos os problemas a CMTU tem de resolver. Daqui a pouco, vamos ter de resolver problemas conjugais.

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