Transgênicos, saúde humana, biodiversidade
Temas relevantes, discutidos nos eventos da ONU em Curitiba, tratam dos organismos vivos modificados (que ganharam a sigla de OVM), dos seus efeitos na saúde humana, da preservação da biodiversidade e, naturalmente, do interesse econômico. De um lado, os países em desenvolvimento e detentores da biodiversidade (Brasil incluído), e de outro países industrializados e detentores da tecnologia. No meio, a postura mais sensata a de que não se deve prever apenas a conservação mas também o uso dos benefícios da biodiversidade, porque preservar sem serventia não faz sentido. Com relação aos transgênicos (e no caso do Paraná trata-se da soja e da posição do Governo estadual, declaradamente contra o cultivo de produtos geneticamente modificados), o que se tem de revelador é que a produtividade irá cair com a transgenia, conforme afirmação do professor Miguel Altieri, da Universidade da Califórnia. Os que defendem os transgênicos argumentam com o controle mais eficiente das pragas, mas com o tempo o meio ambiente vai se degradando. O professor Walter Pengue, da Universidade de Buenos Aires, relata que a partir da experiência de 8 anos, na Argentina, com soja transgênica, já há pragas que estão se tornando resistentes aos herbicidas. Uma decisão brasileira que era esperada definiu-se, com a opção pelo termo ''contém'' (contém organismos vivos modificados, casos eles existam), estampado nas cargas de produtos agrícolas destinados à exportação. O uso da expressão significará que o Brasil terá de separar grãos transgênicos e convencionais, o que onerará custos. O País havia adotado o critério temporário do ''pode conter'' (OVM), ao que se opunham ambientalistas e países importadores. O governador Roberto Requião falou e deixou clara a intransigência do Paraná com os OVMs, especialmente no caso da soja. Não se sabe se um produto alterado geneticamente prejudica as células humanas, assim como a biodiversidade no geral, porque a ciência ainda não deu sua palavra, e uma resposta nesse sentido demandaria décadas, pois se teria de testar os consumidores de transgênicos desde a infância até a velhice. A ciência não dá saltos em suas respostas, a não ser quando um resultado ocorre de imediato. Já a tecnologia, esta faz a modificação genética mas não tem alçada para detectar prejuízos, ou não, ao organismo humano e animal e ao ambiente. O Brasil aprovou às cegas uma lei de biossegurança, abrindo portais para o cultivo da transgenia. Há várias vertentes de discussão: a da preservação da biodiversidade e do consumo público, e portanto da saúde; o delicado processo de separar produtos transgênicos e convencionais, pelo oneroso embaraço e custo elevadíssimo; e os grandes dos insumos e da exportação. Há países importadores de soja que não querem produtos alterados, portanto o advento da transgenia veio como um transtorno. Um relato apresentado pela professora Marija Lisboa, da Universidade Católica de São Paulo, alerta que um cientista respeitado da Escócia teve a sua pesquisa impedida, porque os ratos alimentados com batata transgênica começaram a apresentar deformações no fígado e passaram a morrer mais cedo. Questões delicadas envolvem a transgenia, porque de um lado estão interesses econômicos e de outro a comunidade defensora da saúde humana e da biodiversidade.





