Transgênicos no foro inadequado
Pouco importam as razões dos que defendem ou condenam o plantio de transgênicos soja e milho principalmente, que interessam muito ao Paraná se a comunidade científica mantém-se calada e nada disse ainda sobre danos à saúde humana que os produtos geneticamente modificados podem ou não causar. Vantagens econômicas não faltam para o cultivo dos transgênicos, mas há que considerar os eventuais prejuízos que eles venham a oferecer à integridade celular das pessoas que irão consumi-los. Continua sendo prematuro fazer a defesa da transgenia, porque nesse campo tem prevalecido, até agora, apenas grandes interesses. Menos agrotóxicos e mais lucros são bons argumentos para defender os transgênicos, porém não há garantia sobre a qualidade essencial desses gêneros alimentares com alteração genética. Os pesquisadores têm se ocupado apenas da biotecnologia, mas a profundeza da questão só pode ser alcançada pela ciência pura, e isto leva tempo. Separar espécies, criando-lhe características diferenciadas, é um processo ainda biotecnológico, não significando que tenha decifrado a estrutura atômica desses produtos alterados. Transgenia não é simples enxertia. Não será o aspecto do mercado, da redução dos custos de produção, do meio ambiente, que deve preponderar. A questão não pode condicionar-se à opção dos que desejam cultivar as plantas transgências no lugar das convencionais ou de oferecer os produtos de ambas à escolha dos mercados importadores e internos. Há, no processo da transgenia, uma responsabilidade dos produtores. Por ora trava-se um embate de opiniões, mas apenas isto, sem nenhum embasamento científico. Os que são contra, defendem o aguardo da palavra final da ciência, uma postura a priori defensável, porque a humanidade já pagou preços altos por consumir produtos e ingerir medicamentos lançados precipitadamente no mercado. Tudo o que se afirmar acerca da validade ou não dos transgênicos será, por ora, ou conveniência ou desinformação. O Senado acaba de aprovar o projeto de lei da biossegurança, que trata do plantio e comercialização de transgênicos e da pesquisa com células-tronco (o projeto ainda voltará à Câmara dos Deputados, porque houve emendas), mas são os cientistas e não os legisladores que devem dar as cartas nessa delicada discussão, que tem abrangência supranacional. Legalizar o cultivo, em escala, de plantas alimentares transgênicas não confere garantia de biossegurança, porque apenas autoriza o plantio e o uso humano de produtos que podem ser nocivos. Não é, portanto, da esfera parlamentar discutir transgênicos se a questão é puramente científica. Não se entende como um assunto desta envergadura é discutido em parlamentos. Porque, se a ciência desaprova, será absurdo a comunidade política contrapor-se; e se a ciência aprova, não é necessário nenhum aval de leigos, no caso os parlamentos ou qualquer outro organismo governamental.





