Transgênicos: falta a palavra da ciência
Dez anos de produção e consumo humano e animal de soja transgênica e seus derivados não são suficientes para saber-se se eles fazem mal. A ciência não dá saltos abruptos, e teria de pesquisar por uma geração inteira, ou talvez mais tempo, para chegar a resultado conclusivo. Tecnologia difere da ciência pura, embora seja um dos seus ramos. Desenvolver um experimento e obter sucesso, caso da transgenia, não é garantia de que o produto final não faça mal ao organismo de pessoas e animais e ao meio ambiente. Não há nenhum selo de segurança na afirmação da Fundação das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, mais conhecida como FAO, de que ''em uma década de consumo (de soja transgênica) não há nenhum registro de malefício à saúde humana ou animal''. Porque é muito pouco tempo para conhecer-se os efeitos, que no campo da genética podem ser tardios. É, pois, um contra-senso um organismo dessa importância declarar simplesmente que ''as plantas e os alimentos transgênicos derivados delas foram julgados seguros para comer''. Eventualmente a FAO pode acertar, mas este será um tiro no escuro, que poderá acertar o alvo ou não. Se nada de complicador ocorrer, não será por mérito dessa afirmação mas resultado de uma conclusão científica. Que ainda não existe, embora se mencione que cientistas estão cada vez mais seguros da segurança alimentar dos produtos geneticamente modificados. Os nomes desses cientistas e das supostas instituições que estão por trás deles não são conhecidos, portanto tudo ainda é coisa vaga. Sem saber-se se transgênicos são prejudiciais ou não, o que há é uma irrealidade a respeito dos a favor e dos contrários pela simples razão de que a ciência ainda não deu sua palavra. Se 60% da soja produzida no mundo é transgênica e se o seu cultivo agrada os produtores, isto não é nem sequer uma garantia permanente do menor emprego de agrotóxicos, porque não há a certeza de que mais tarde não surjam pragas resistentes e se tenha de usar defensivos mais potentes. Se alguns defensores da nova tecnologia afirmam que as contestações são coisas ''tiradas da internet'' e ''não trabalhos científicos'', tais ''trabalhos científicos'' também não existem em carater definitivo. O que existe é conclusão tecnológica (a finalização do produto), mas também os venenos e a bomba atômica são resultados bem-sucedidos de pesquisa e eficácia quanto aos seus fins. Estes comentários não visam afirmar nada mas também não embarcam na canoa de que a soja transgênica já é uma questão encerrada no que respeita à segurança alimentar. Repita-se que a ciência ainda não se pronunciou. É um puro jogo de conveniência declarar que em dez anos de consumo as dúvidas foram respondidas. Se os trangênicos são um bem ou uma ameaça, ainda não se sabe, mas se forem prejudiciais ao organismo e ao ambiente, só se saberá pelo que ocorrer às gerações futuras, porque estes são os passos da ciência.





