Transgênicos: ameaça ou solução?
Uma verdadeira guerra de informações e contra-informações vem sendo travada entre os favoráveis e contrários aos chamados alimentos transgênicos. De um lado a indústria alimentícia e seus congêneres; de outro, associações civis e ONGs. O governo federal, oficialmente, é favorável à comercialização. A grande questão é saber os riscos que estes alimentos poderão causar à saúde humana e ao meio ambiente.
Para os defensores da causa, as plantas geneticamente modificadas são seguras. Afirmam que há mais de cinco anos produtos contendo soja geneticamente modificada são comercializados e consumidos por mais de 2,5 bilhões de pessoas, incluindo países com rigorosos controles de segurança alimentar, como EUA, Japão e Inglaterra; ou então, das vantagens comparativas de produtividade e custos, além do menor uso de herbicidas e pesticidas. Dados da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov), estimam que, caso o agricultor brasileiro tivesse acesso aos grãos, o potencial de aumento da produção estaria na casa dos 4 milhões de toneladas. Outras fontes dizem que a redução dos custos de produção seria da ordem de 20%.
Sem desconhecer tais fatos, os contrários questionam até que ponto é importante levar em consideração estes dados como prioritários, quando na verdade os próprios cientistas e médicos ainda têm muitas dúvidas quanto aos riscos que correm as pessoas que consomem os alimentos. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), os transgênicos são criados em laboratórios a partir da utilização de espécies diferentes de animais, vegetais ou micróbios.
As novas tecnologias permitem, por exemplo, introduzir um gene humano em um porco, ou um gene de rato, peixe, de bactérias ou vírus em espécies de arroz, soja, milho ou trigo. No entanto, os resultados destas mutações podem produzir substâncias que fazem mal à nossa saúde e prejudicam o meio ambiente. Justificam ainda que, para saber se a modificação genética deu certo, os cientistas inserem nos alimentos transgênicos genes marcadores, que podem ser genes de bactérias resistentes a antibióticos, fazendo com que os micróbios que causam doenças em seres humanos se tornem resistentes a medicamentos. Em outras palavras, pode-se reduzir ou anular a eficácia dos remédios à base de antibióticos, o que seria uma ameaça à saúde pública.
Diante deste impasse de opinião, o que não se pode é cair no maniqueísmo dos contrários e favoráveis. A engenharia genética é um dos maiores avanços que a humanidade conheceu nas últimas décadas, no entanto, a sociedade não pode servir de cobaia aos interesses econômicos. Somente com pesquisas e estudos cada vez mais profundos, o que não foi feito até agora, será possível avaliar se tais produtos são de fatos seguros. Enquanto pouco acontece, nós, cidadãos, temos o direito de exigir das autoridades a informação sobre cada produto que consumimos, a partir de uma rotulagem explícita que identifique se tais alimentos são ou não geneticamente modificados. Esta é a única forma de poder escolher se queremos ou não comer esses produtos.
- RENÉ RUSCHEL é economista em Curitiba





