São Paulo Desde que o primeiro alimento geneticamente modificado foi lançado no mercado, em 1994 um tomate que amadurecia mais devagar , os transgênicos se transformaram em uma das tecnologias mais polêmicas dos últimos tempos. Odiados por ambientalistas, defendidos por cientistas, eles contém genes de bactérias que os tornam resistentes a pragas e herbicidas. A polêmica explodiu de vez em 1997, com o lançamento da soja Roundup Ready (RR), da Monsanto. Desde então, o que deveria ser uma discussão científica virou uma batalha de propaganda entre empresas e organizações não-governamentais (ONGs), repleta de especulações, exageros e factóides.
Um dos grandes problemas dos transgênicos, segundo as ONGs, é que são produtos de empresas multinacionais. Nesse aspecto, a campanha contra transgênicos se confunde com os movimentos antiglobalização. Aceitar os produtos geneticamente modificados seria submeter a produção de alimentos a interesses econômicos internacionais. ''Não podemos deixar nossa base alimentar nas mãos de algumas poucas empresas'', diz a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace no Brasil, Mariana Paoli.
O mercado de transgênicos é dominado pela Monsanto, empresa americana que desenvolveu as duas principais variedades de plantas geneticamente modificadas: a soja Roundup Ready (RR), resistente ao herbicida glifosato, e o milho Bt, resistente ao ataque de lagartas. De 1,7 milhão de hectares plantados em 1996, os transgênicos hoje ocupam 59 milhões de hectares em 16 países principalmente EUA, Argentina, Canadá e China. As sementes são produzidas por várias empresas, mas cerca de 90% utilizam tecnologia licenciada da Monsanto. ''É um monopólio tecnológico sim, mas é um monopólio legal'', diz o gerente de negócios de soja da Monsanto no Brasil, José Carlos Carramate.
Assim como na indústria farmacêutica, na biotecnologia são as grandes empresas por contarem com mais dinheiro e infra-estrutura que lideram o desenvolvimento de novos produtos. Correndo logo atrás, entretanto, estão centenas de universidades e laboratórios públicos de pesquisa que vêm trabalhando no desenvolvimento de novas variedades transgênicas muitas delas produtos da agricultura familiar. Só no Brasil, há projetos avançados para produção de feijão, mamão, batata, cacau, café, alface, maracujá e tomate transgênicos. Muitas dessas pesquisas, entretanto, estão paralisadas por causa do embate jurídico sobre a soja da Monsanto.
Vale notar também que as sementes tradicionais que são plantadas hoje continuarão disponíveis para os agricultores. ''Os transgênicos não vão substituir a agricultura convencional, serão uma opção a mais. Tudo que existe hoje continuará existindo'', diz o cientista e empresário Fernando Reinach, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo e diretor-executivo da Votorantim Ventures. ''Só vai plantar transgênico quem quiser. A escolha é do produtor.'' Além disso, ao contrário do que se divulga, o agricultor não é obrigado a comprar o herbicida da Monsanto junto com as sementes. A soja transgênica funciona com qualquer tipo de glifosato, que é o princípio ativo de várias marcas de herbicida.

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