O campo está de cara nova, conclui estudo feito por pesquisadores do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), em Londrina, e da Unicamp. Isso se deve, principalmente, ao fato de que hoje, mais do que nunca, o rural e o urbano misturam-se com extrema naturalidade, chegam a se confundir e acabam por identificar motivações, interesses e objetivos comuns. As influências são mais fortes no sentido do urbano para o rural, mas o que poderia se configurar como um choque cultural, tem adquirido a forma de um incentivo para que o ''homem do campo'' se aprimore, amplie seu campo de visão e descubra que vale a pena se manter onde está.
Como confirma o pesquisador do Iapar Mauro Eduardo Del Grossi, que juntamente com o professor da Unicamp, José Graziano da Silva, elaborou um estudo minucioso do ''novo rural'' (leia nesta página), ''em alguns estados brasileiros, como os do Nordeste, por exemplo, o êxodo rural diminuiu, na esteira dessas mudanças; enquanto em outros, como São Paulo, um dos mais modernizados do País, a população rural até voltou a crescer''.
No Paraná, mais especificamente na região de Londrina, já é possível observar nítidos sinais de mudança numa nova direção. Em meio ao verde do campo, começam a aparecer o cinza das construções destinadas ao pequeno agronegócio, como a fábrica de doces caseiros, a de açúcar mascavo, a de produtos derivados da soja; os tons multicoloridos dos empreendimentos que exploram as inúmeras possibilidades de lazer e turismo rural, como o hotel fazenda, o pesque-pague repleto de atrativos, o restaurante de comidas típicas; o tom tipicamente urbano dos negócios de apoio às indústrias da cidade, como a oficina rural de costura e acabamento, ou de suporte ao comércio, como o processamento e o acondicionamento de frutas, raízes e hortaliças.
Sob essa perspectiva, o pequeno e o médio produtor rural, que não conseguem mais viver apenas dos rendimentos de sua produção agrícola uma vez que hoje os lucros mais seguros advém da plantação em grandes áreas e de fortes investimentos em mecanização da lavoura e informatização administrativa , procuram alternativas, encontrando-as no que está sendo chamado de ''multiatividade''. Surge, então, como explica Del Grossi, o ''agricultor em tempo parcial'' ou até mesmo a figura do empreendedor rural, que não está mais diretamente envolvido com a produção do campo, mas aprendeu a utilizá-la de forma sofisticada, agregando-lhe valor.
Para levar à frente multiatividades, nada melhor do que ''famílias pluriativas'', como as denominam Del Grossi e Graziano. Na nova conformação das famílias rurais, alguns membros em geral, o marido, com a ajuda parcial da esposa e de um filho mais velho dedicam-se à produção agrícola, enquanto os demais os filhos mais novos e as filhas optam por atividades não agrícolas. Contudo, seja trabalhando no campo, seja atuando em tarefas tipicamente urbanas, as famílias têm dado preferência a continuar vivendo na zona rural.
Isso porque, além de fugir do alto custo da moradia, das dificuldades relacionadas a emprego e da violência, alguns dos principais problemas urbanos da atualidade, a população rural, ao optar por ficar no campo, usufrui das facilidades modernas energia elétrica, telefonia (rural e celular), água encanada, televisão (antenas parabólicas), internet, transporte coletivo , até então circunscritas às cidades. Reúne, assim, condições favoráveis para oferecer oportunidades mais amplas de educação aos filhos e de se inserir, com naturalidade, no mundo globalizado.

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