Se batalhas de rua como a dos guetos dos Estados Unidos se transformaram em arte, em dança, no ‘‘rap’’ e em outras expressões, também foi bastante pedagógico que os nossos mestres fizessem das ocorrências lamentáveis de 1988 - o caso das bombas de efeito moral contra manifestantes, embora parte destes tenham se aproximado demais da entrada do Palácio Iguaçu - não uma revivência para a vingança e sim uma reivindicação voltada aos objetivos permanentes e reivindicatórios do magistério.
  E houve ontem uma vitória: ao longo desses 22 anos de celebração essa foi a mais amigável das recepções do governo à categoria, o que sempre se diluia na entrega de documentos à pasta da Educação. Também não há mais sentido em fixar na figura do então governador, como se deu politicamente, os ônus de uma ocorrência que era comum num tempo, em que mal abertas as comportas da liberdade, uma das características dos movimentos basistas, de sindicatos e corporações, se traduzia em invasões e ocupações do espaço público, miniatura de revolução, tal qual naquele evento com a mediação da Comissão Executiva da Assembleia Legislativa acolhendo os manifestantes em suas instalações por pressão do deputado Rafael Greca, da oposição, e assentimento dos deputados Anibal Curi e Antonio Anibelli. Essa saída gerou descompressão num momento de intensa dramaticidade.
   Apesar da situação financeira delicada do Estado, visível nos projetos de redução de multas e correção monetária nos tributos devidos, o governador atendeu as ponderações relativas às perdas acumuladas de fevereiro a julho e na convocação imediata dos concursados para o exercício das atividades e na manutenção do diálogo permanente, uma ponte sólida entre a secretaria da Educação e a representação da categoria de maior vigor nas lutas sociais no Paraná. De um constrangimento relembrado, a busca do melhor entendimento.

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