Analistas apontam as eleições presidenciais do Brasil deste ano como cruciais para definição da transferência de votos nos países da América Latina. A questão é colocada diante da derrota de Eduardo Frei, no Chile, candidato da presidente Michele Bachelet. Frei não conseguiu refletir nas urnas a popularidade de Bachelet - ficou com 48,4% dos votos válidos, contra 51,6% de Sebastián PiÀera.
No Brasil, petistas apostam nos quase 80% de aprovação pessoal do presidente para conseguir eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ao contrário da presidente chilena, Lula conseguiu se ''descolar'' dos principais escândalos que atingiram seus sete anos de governo. Mas não é só isso: desde 2009 o governo investe pesado na popularização da ministra, que passou a marcar presença em todos os eventos - incluindo velórios -, colando sua imagem à do presidente.
Hoje os marqueteiros do PT iniciam nova e importante etapa, que já está sendo chamada de ''mineirização'' da campanha. Dilma e seu principal cabo eleitoral, o presidente Lula, desembarcam em Minas Gerais - estado governado por Aécio Neves (PSDB) - para inauguração da Barragem de Setúbal e tentar conquistar os votos no segundo maior colégio eleitoral do País. Com Aécio fora da disputa presidencial, Dilma conta com eventos oficiais, como liberação de verbas, e com homenagens para marcar presença no estado. Mas o novo tour inclui ainda compromissos de ''governo'' em Pernambuco, Piauí e Ceará, isso apenas no início do ano.
O Governo federal usa como desculpa as competências da Casa Civil para justificar as aparições mais frequentes da ministra. Só que está cada vez mais claro uma intenção eleitoral nessas viagens. Portanto, essas inaugurações e solenidades não poderiam ser enquadrados como campanha prévia? O que falta para a oposição tomar alguma atitude concreta? Será que eles próprios têm telhado de vidro? Não seria hora de a Justiça Eleitoral frear tal agenda?
É legítimo que o atual governo queira fazer o seu sucessor, mantendo vivo o lulismo. Mas torna-se um problema nacional quando a popularização de sua candidata (com palanques montados nos mais diversos pontos do país) é feito com dinheiro público. A mesma verba que falta para melhorar a educação e a saúde da população.

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