Tranquilidade ameaçada
Durante anos, morar no interior foi sinônimo de vida tranquila. Muitos corriam para as propriedades rurais com o objetivo de fugir da loucura que a cidade grande representava. Buscavam também um lugar mais saudável, sem medos, onde pudessem criar seus filhos. Já quem vive da terra também encontrava no campo um oásis, onde a única preocupação era com o calendário para não perder os períodos de plantio e de colheita.
Entretanto, essa realidade vem mudando de forma rápida e traumática, como mostrou reportagem publicada pela FOLHA esta semana. As propriedades rurais têm se tornado alvos frequentes de quadrilhas no Norte do Estado. Em menos de uma semana, quatro sítios e fazendas na região foram invadidos por bandidos. As ações ocorreram em Mauá da Serra, Marilândia do Sul e Califórnia.
Além do prejuízo material, começa a faltar mão de obra no campo. É que, por medo de se tornarem vítimas de assaltos, muitas famílias preferem deixar a zona rural, aumentando a população das áreas urbanas - e, de quebra, contribuindo para o agravamento de índices como o do desemprego.
Para proteger as propriedades, produtores recorrem à segurança particular. Vizinhos se cotizam para pagar a conta. Por outro lado, o Sindicato Rural de Londrina cobra ação mais efetiva da Patrulha Rural, principalmente com o reforço no efetivo. De acordo com a Polícia Militar, Londrina e Tamarana contam com apenas três equipes para fazer o policiamento no interior.
No âmbito nacional, a má notícia é que os cortes orçamentários reduziram as verbas para o combate ao crime. O Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), por exemplo, que tem como objetivo aumentar a colaboração entre União, estados e municípios, receberá este ano R$ 1,028 bilhão, menos da metade do valor inicialmente previsto.
A segurança pública não vem sendo tratada com a seriedade que a população espera, em todos os níveis de governo. E a sociedade sente na pele os anos de descaso. Já está mais do que na hora de uma guinada.





