O Réveillon que se aproxima não pode repetir os índices trágicos de acidentes com mortes registrados nas estradas do Paraná no feriadão de Natal. Apesar de todas as campanhas de conscientização sobre segurança no trânsito e das operações policiais, o número de mortos em acidentes nas rodovias estaduais dobrou do Natal de 2010 para o mesmo período de 2011 - de sete para 14 vítimas. No caso das rodovias federais, faltando computar as ocorrências de ontem, os registros davam conta de 10 mortos em 2011, uma a menos que em 2010.
O problema é que o paranaense costuma viajar mais no Réveillon, lotando as estradas, principalmente em direção ao Litoral. Além do intenso movimento, outro fator preocupa bastante as autoridades policiais e os socorristas de plantão: o consumo de álcool misturado à direção. Somando as estradas administradas pelas polícias rodoviárias Federal Estadual, no Natal, 37 pessoas foram presas por dirigir embriagadas e 82 motoristas foram autuados no Paraná.
Se o Brasil pretende cumprir seu compromisso junto à Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% as mortes em acidentes de trânsito até 2020, um plano realmente eficiente e contínuo deve ser colocado em prática urgentemente. Da Presidência da República aos governos estaduais e municipais, todos precisam lembrar que o País é signatário da resolução da ONU que estabelece a ''Década de Ação para Segurança Viária'' entre 2011 e 2020. Alguns países já estão dando exemplos, como a Espanha, que conseguiu reduzir o número de mortos em 57% no período de sete anos.
Só em 2011, o Brasil deve perder cerca de R$ 14,5 bilhões com acidentes nas estradas federais, segundo levantamento feito pela ''Folha de S.Paulo''. É o equivalente a toda a arrecadação de impostos no ano dos Estados do Acre, Alagoas, Amapá, Maranhão, Paraíba, Sergipe e Tocantins juntos.
No ano passado, 40 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Aumentar a fiscalização e mudar a estratégia de comunicação já deveriam dar resultados. O número crescente de ocorrências mostra que as campanhas nacionais não estão servindo para conscientizar os motoristas.

mockup