Tragédias climáticas se agravam no Paraná
Tornado em Rio Bonito do Iguaçu e estragos em Londrina são termômetro da crise ambiental
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
Tornado em Rio Bonito do Iguaçu e estragos em Londrina são termômetro da crise ambiental
Folha de Londrina 
No dia 7 de novembro, esta FOLHA já alertava para o preço dos extremos climáticos em editorial. Alvorada do Sul e Pitangueiras haviam sido as mais recentes vítimas de uma sequência de temporais que castigou o Norte do Paraná. Agora, o alerta se confirmou em sua forma mais trágica: um tornado devastou Rio Bonito do Iguaçu, destruiu 90% da cidade e deixou mortos, feridos e centenas de famílias desabrigadas.
Londrina, mais uma vez, também sentiu a força do clima. Rajadas de vento de quase 100 km/h derrubaram 179 árvores, danificaram casas, afetaram unidades de saúde e escolas. O município decretou situação de emergência para agilizar a resposta, enquanto equipes ainda trabalham na limpeza das ruas e no restabelecimento da energia.
Em meio à dor e aos prejuízos, o Estado tenta reagir. O governo anunciou R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública para auxiliar Rio Bonito do Iguaçu, e a Assembleia Legislativa aprovou, em regime de urgência, a desburocratização da ajuda, permitindo que recursos cheguem diretamente às famílias. São medidas necessárias diante da destruição, mas que não apagam a constatação de que a frequência e a intensidade dos desastres climáticos estão aumentando — e cobrando um preço cada vez mais alto.
Entre 2013 e 2024, os municípios brasileiros acumularam R$ 732 bilhões em prejuízos com desastres associados ao clima, segundo a Confederação Nacional dos Municípios. Quase todas as cidades do País foram afetadas por secas, enchentes ou vendavais. A Organização Meteorológica Mundial já indicava que 2025 deve ser o segundo ou terceiro ano mais quente da história. Os números são eloquentes, mas parecem ainda insuficientes para sensibilizar sociedades inteiras que seguem tratando a crise climática como algo distante.
Os eventos recentes no Paraná com certeza serão tema de destaque na COP 30, em Belém. Eles deixam claro que a mudança climática não é um tema restrito às conferências internacionais, mas uma realidade concreta, que atinge o campo e a cidade, o pequeno agricultor e o empresário urbano. Exigem, portanto, planejamento, investimento em prevenção, fortalecimento das defesas civis e políticas públicas de adaptação.
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