Tragédias anunciadas
O naufrágio de mais uma embarcação lotada de imigrantes africanos, anteontem, no Mar Mediterrâneo, fez grupos humanitários cobrarem da União Europeia a elaboração de um plano de imigração para as pessoas que tentam desesperadamente fugir da pobreza e da guerra. O acidente aconteceu a 96 quilômetros da costa da Líbia e a 193 quilômetros ao sul da ilha italiana Lampedusa. Se não bastasse essa tragédia, ontem mais dois barcos com 450 imigrantes afundaram na costa líbia.
Os barcos de imigrantes estão cada vez mais lotados tornando as viagens mais perigosas. ONU e autoridades europeias calculam que em 2015 mais de 31 mil imigrantes tentaram fugir da África em direção à Itália ou a Espanha. Só neste mês de abril, até 1.100 pessoas podem ter perdido a vida nessas fugas desesperadas, sendo muitas delas crianças. Em apenas uma semana, de 10 a 17 de abril, 13.500 refugiados foram resgatados.
Os naufrágios, infelizmente, são comuns durante ações de imigração ilegal entre a África e a Europa. São três as principais rotas: de Casablanca (Marrocos) a Melilla e Tarifa (Espanha); de Nador (Marrocos) a Almeria e Málaga (Espanha); da Líbia e Tunísia a Malta, Lampedusa e Sicília, na Itália.
Diante de tantas tragédias, as críticas chegam forte ao programa de proteção de fronteiras da União Europeia, o Triton. Ele substituiu o Mare Nostrum, um programa criado pela Itália e que acabou cancelado no ano passado por falta de recursos financeiros e porque alguns políticos acreditavam que encorajava os imigrantes a deixarem os seus países. O sistema atual só funciona dentro de um limite de cerca de 50 quilômetros da costa italiana, espaço inferior do programa anterior que chegava quase à costa da Líbia. Outra observação dos grupos humanitários é que o Triton é diferente do Mare Nostrum também no conceito. Eles criticam que a preocupação passou do salvamento para a vigilância.
É inaceitável que os países ricos e desenvolvidos assistam a morte de mais de mil imigrantes no Mar Mediterrâneo, pessoas que fogem da pobreza e da violência da guerra. Não se pode permanecer insensível ao problema dos refugiados. Proteger a vida humana deve ser mais importante que vigiar fronteiras.





