Tragédia tratada com frieza
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
Folha de Londrina 
O incêndio que matou 10 crianças que dormiam no alojamento das categorias de base do Flamengo, no Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro, completou um ano no último sábado (8). As vítimas eram atletas do clube e doze meses depois a tragédia ainda não teve um desfecho.
É a velha história que se repete no Brasil de tempos em tempos em que o descaso com a vida se transforma em mortes de inocentes sem que ninguém seja responsabilizado. É o que aconteceu em Mariana e em Brumadinho, só para citar dois exemplos.
O Flamengo ainda não firmou um acordo para indenizar a maior parte das famílias. Mas as queixas não se resumem à questão da indenização. O comportamento do clube quanto ao tratamento das famílias vem provocando indignação da opinião pública e da própria torcida.
A estratégia do clube de fugir do tema em entrevistas e tratar as famílias dos meninos que morreram como “adversárias” vem desagradando torcedores e não torcedores.
Um episódio ocorrido no último fim de semana mostrou o despreparo da direção do Flamengo em lidar com essa crise. O clube barrou familiares das vítimas que pretendiam fazer uma oração dentro do Ninho do Urubu no último sábado. Faltou sensibilidade. Sem falar no desrespeito com aqueles que confiaram a vida do filho para o Flamengo. Uma atitude que fez a onda de críticas contra a diretoria do clube crescer ainda mais.
Se no final do ano passado o time deu motivos para a nação rubro-negra se orgulhar, a sua diretoria começou 2020 pisando na bola. Na última sexta-feira (7), a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), por meio dos integrantes de uma CPI, recebeu familiares dos atletas mortos no incêndio para prestarem depoimento.
Dirigentes da atual e da ex-diretoria do rubro-negro foram convidados, mas não apareceram. Agora, os parlamentares aprovaram um pedido de condução coercitiva para que os representantes do Flamengo compareçam na próxima audiência da CPI que investiga o incêndio.
Os clubes esportivos têm (ou deveriam ter) um compromisso mais importante do que vencer. Trata-se da função de educar e de dar bons exemplos. Compromisso que tem mais peso, aqui no Brasil, com os times de futebol, grande paixão dos meninos e meninas que crescem amando a bola e os estádios.
O dinheiro não vai amenizar a dor dos pais dos garotos que morreram no ano passado. As indenizações financeiras e as questões judiciais são complicadas em qualquer país, mas no Brasil alcançam dimensões e prazos escandalosos. E a frieza na condução dessa tragédia por parte do clube alcançou um patamar inaceitável.
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