Tragédia evitável e história que se repete
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quinta-feira, 11 de abril de 2019
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As catástrofes provocadas pela união dos fatores “tempestade” e “despreparo do poder público” foram vistas em duas ocasiões este ano no Rio de Janeiro. Em 6 de fevereiro, um temporal com chuva forte e ventos de mais de 100 km/h derrubou árvores, causou alagamentos e apagões e provocou a morte de sete pessoas. Na época, a revolta e a indignação dos cariocas levaram o executivo municipal a se comprometer em melhorar os serviços de prevenção a eventos climáticos. Mas tudo ficou na promessa e a procrastinação venceu. Dois meses depois, uma nova tragédia com um número maior de mortos. Dez pessoas perderam a vida em decorrência do temporal da última segunda-feira (8) no Rio.
Mais uma tragédia evitável. Pena que medidas eficientes para evitar alagamentos e deslizamentos de morro ficam nas gavetas em projetos que nunca saem do papel. O que aconteceu no Rio é o retrato de Brasil que apenas se preocupa com o aquecimento global e com as adversidades do clima depois que uma multidão perde suas casas, carros, móveis e famílias choram seus mortos.
Entre as 10 vítimas fatais, três pessoas morreram soterradas em um táxi (sendo uma criança), o corpo de um homem foi encontrado embaixo de um carro, duas mulheres e um homem morreram soterrados em um deslizamento de terra, dois homens morreram afogados e um outro eletrocutado.
Historiadores lembraram que os estragos causados por alagamentos estão em relatos do Padre José de Anchieta, por volta de 1570. Em 1811, aconteceu uma enchente que ficou marcada na história da cidade e foi até batizada de “Águas do Monte”. Com a queda das muralhas da Fortaleza de São Sebastião, Dom João ordenou que as igrejas abrissem as portas para acolher os desabrigados. E de lá pra cá, em livros e jornais, são muitas notícias de enchentes e alagamentos.
Os relatos históricos só mostram que tempestades são mesmo inevitáveis e fazem parte da Cidade Maravilhosa desde a época que os portugueses chegaram e expulsaram os tupinambás do território recém-descoberto.
As duas tragédias citadas aqui aconteceram no Rio, mas poderiam ter acontecido em outras cidades brasileiras. O aquecimento global só veio causar ainda mais confusão com o clima. Porém, o que atrapalha mesmo é o descaso do poder público ao longo dos anos, com cidades sem plano de emergência, sem proteção de encostas, sistemas de drenagem ineficientes ou pouco investimento em saneamento básico. E a história vai se repetindo.


