A sequência de chuvas que atingiu os municípios de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, deixando 28 mortos e mais de 600 pessoas fora de casa foi muito mais que um evento meteorológico extremo. É um conjunto de situações que somadas impactam em uma tragédia histórica para a zona da mata mineira. Só em Juiz de Fora, o acumulado deste mês chegou a 584 milímetros, que faz do mês de fevereiro o mais chuvoso da história do município, com volume superior ao dobro do esperado para o mês.

Das 22 mortes registradas devido às fortes chuvas, 21 aconteceram em Juiz de Fora e sete em Ubá. A prefeitura de Juiz de Fora, que já havia oficializado estado de calamidade pública, decretou luto oficial de três dias por conta das mortes, assim como o governo estadual.

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, com o transbordamento do Rio Paraibuna, em Juiz de Fora, a corporação foi acionada para atender ocorrências de inundações, soterramentos e risco estrutural em encostas e áreas próximas ao rio. Em poucas horas foram mais de 40 chamadas emergenciais envolvendo vias bloqueadas, moradores ilhados e casas atingidas.

O governo federal determinou a pronta mobilização de equipes para auxiliar os municípios atingidos. Estavam a caminho das duas cidades equipes da Força Nacional do SUS [Sistema Único de Saúde] e da Defesa Civil Nacional.

Diante desse cenário, é possível concluir que a tragédia que assolou Juiz de Fora e Ubá expõe um cálculo de fatores que não podem ser mais ignorados: a soma entre eventos climáticos cada vez mais intensos, ocupação desordenada do solo e negligência estrutural.

O volume recorde que fez de fevereiro o mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora não pode ser tratado como mera fatalidade; ele é também um alerta inequívoco sobre a urgência de políticas públicas consistentes de prevenção, planejamento urbano e adaptação às mudanças climáticas.

A pronta resposta anunciada pelos governos federais, estadual e municipais é necessária e bem-vinda, assim como a atuação das forças estaduais e municipais. Mas a solidariedade emergencial, embora imprescindível, não substitui o compromisso permanente com obras de drenagem, contenção de encostas, habitação segura e fiscalização rigorosa.

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