Na maioria dos assassinatos que ocorrem em Londrina, quem mata e quem morre já estão envolvidos com a criminalidade, especialmente o tráfico de drogas. Palavras do tenente Ricardo Eguedis, da Polícia Militar. Ontem este Jornal destacou que o primeiro semestre de 2008 foi o mais violento dos últimos três anos, mas só a ação de prender criminosos não é suficiente - embora isole os assassinos e os impede de, eventualmente, cometerem outros delitos semelhantes. O que precisa é evitar que os crimes aconteçam.
Sob esse aspecto, a função dos organismos de repressão é atacar o negócio das drogas em suas origens, porque combatendo-se a causa elimina-se as consequências. Se esse terrível mal dos nossos tempos é transnacional, é nacional e é local, em cada esfera dessa corrente é possível identificar e deter os mandantes do tráfico. Jovens matam e jovens morrem, mas quem comanda o rendoso e satânico fabrico e comércio das drogas são os mais velhos, que vitimam os viciados e assim geram todos os tipos de desgraças humanas. A polícia - pela própria atividade de lidar com bandidos - sabe quem são os traficantes e onde encontrá-los. A cada ponto dessa ramificação incumbe a ação de destruir as indústrias beneficiadoras e os distribuidores. No caso de Londrina, os ''formiguinhas'' são os que entregam a mercadoria no varejo - e por isso sujeitos a matar e morrer nos acertos de contas, afora outros atentados que cometem - enquanto os maiorais ficam intocados. Se a detenção de alguns dos graúdos multinacionais não é garantia do fim do tráfico, porque eles se sucedem no poder ou comandam até de dentro das prisões, é essa a batalha que precisa ser travada, até a vitória final.
As forças maléficas têm levado muitas vantagens mas é preciso acreditar que não há mal que sempre dure. Sem combater as causas não se eliminará os efeitos. Os organismos policiais podem derrotar os inimigos nesse campo, bastando que se decidam a empreender a heróica jornada. Quanto mais alto o escalão desse infernal universo criminoso, mais envolvimentos de gente poderosa, por isso seria ingênuo imaginar-se que é fácil desmontar essa fortaleza.
No caso dos assassinatos, nem que houvesse um policial seguindo cada criminoso potencial seria possível conter a criminalidade. É ao ninho das cobras que a polícia precisa ir. Pela extremidade do fio da meada - que são os matadores e traficantes presos - pode-se chegar à fonte. Sem destruir o mal no nascedouro polícia nenhuma conseguirá impedir essa novela real de jovens matando e morrendo.

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