Tráfego, estacionamento e Zona Azul
Primeiro é preciso resolver os problemas técnicos mais sérios do tráfego urbano, em Londrina, para depois endurecer na aplicação de certas multas. Agora a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) decidiu que vai intensificar a punição a quem deixar o veículo estacionado por mais de duas horas na Zona Azul. Esta questão precisa ser melhor estudada, ou se implantará em Londrina um terror punitivo que gerará problemas ainda maiores. Essa área reservada para cobrança, no Centro, foi implantada no passado como solução beneficente, para atender aos meninos carentes da Escola Profissional e Social do Menor de Londrina, mas acabou norma estabelecida em lei.
Trata-se de uma bitributação (também adotada em outros países), porque os cidadãos já pagam o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que lhes dá direito ao uso das ruas. Mas os usuários a aceitaram, pela razão social apontada. Tais menores, que eram empregados para operar na Zona Azul, agora não mais o são, embora o sistema ainda gere emprego e sirva à Escola.
A questão é delicada, porque um cidadão que está trabalhando não pode ficar monitorando o tempo e sair do trabalho para tirar o carro do lugar de duas em duas horas e, eventualmente, estacioná-lo ao lado ou girar até encontrar outra vaga. Uma prática que não resolverá a questão da rotatividade. Um médico não pode deixar uma cirurgia pela metade e sair correndo para atender à causa de seu carro. Os estacionamentos particulares são caros e o sistema de ônibus urbanos não atende suficientemente às necessidades, por razões diversas. Quem pode comprar um bom carro não quer andar de ônibus, e esta é outra questão de comportamento que um dia terá de mudar.
Em parceria com técnicos em engenharia de trânsito e com usuários mais experimentados do tráfego urbano, a CMTU precisa pensar numa solução que contemple os diferentes usos de veículos. Talvez cobrando uma tarifa mensal para quem precisa ficar estacionado durante todo o dia no mesmo local. O poder público poderia estabelecer limites para os valores cobrados pelos estacionamentos privados e reestudar a questão de ampliação do sistema de transporte coletivo e de adotar faixas exclusivas para ônibus, de forma a agilizar o sistema e estimular as pessoas a deixarem o veículo em casa e não utilizá-lo para pequenos percursos. Os micro-ônibus têm sido uma solução mas os normais andam superlotados, e nos horários de pico a situação se agrava.
O estacionamento é outro problema. Estas são questões de uma cidade já grande e com veículos demais, que têm de ser resolvidas na prancheta dos técnicos e não por via de imediatas sanções punidoras. Uma questão mais urgente é a implantação do sinal para pedestre, porque ele nunca tem vez no trânsito.





