Traçamos a galinha dos ovos de ouro
Há uma coluna na Folha Rural (Um Dedo de Prosa) que usa de metáforas e, em linguagem simples, mexe com o brio das pessoas provocando reflexões - que é o que se deseja. Hoje a coluna fala da seca, em abordagem diferente do que se vê por aí. Estiagens e outras adversidades têm seu efeito agravado por conta da fragilidade do ambiente agredido, do solo maltratado e dos rios assoreados e poluídos.
O que vale para a questão ambiental, vale para a econômica. Na verdade falamos da exploração econômica que é o que se faz no Paraná. Aqui, como no Brasil, a prática é explorar a terra no pior sentido da definição. O mercado não paga bem pelos produtos, o agricultor não se capitaliza e, então, busca a produção intensiva, extensiva e incessante; é uma safra após outra, sem interrupção. Nada de investimento no solo, nada de pousio (intervalo para recuperação ou descanso da terra - como diziam os mais velhos.
E, ontem, exatamente ontem, tivemos a seguinte notícia para ilustrar o que estamos dizendo: o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, disse que o crescimento do PIB da agropecuária reflete somente os ganhos de produtividade da safra 2009/10, porque os preços das principais commodities estão abaixo dos valores registrados no ano passado. E o Brasil teve a maior safra da história em 2009/10, com 147 milhões de toneladas de grãos, graças às condições climáticas excepcionais que propiciaram o aumento da produção. Mas o preço mesmo não melhorou, afirma.
Bom, então se o preço não melhorou, se as contas não fecharam, se o banco está nos ameaçando... então vamos levantar mais cedo, meter mais semente na terra e dá lhe cultivo convencional: abubo químico, veneno, enfim o campo não pode parar; são bilhões de bocas a serem alimentadas. Cuidar das nascentes de rios, plantar o adubo verde (que é bom para a saúde da terra, mas não gera dinheiro), aplicar produtos orgânicos, enfim tudo que é para o bem da chamada sustentabilidade, nem pensar. A agricultura é movida a crédito, ou a débito; é pressionada pelos bancos e serve ao governo - que lhe come pela perna via imposto. É mera repassadora de riqueza para multinacionais.





