Trabalho escravo: até quando?
Apesar dos avanços da economia e das políticas sociais, o Brasil ainda convive com uma triste realidade: o trabalho escravo. Estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado esta semana, traçou um perfil de todos os envolvidos na escravidão contemporânea (condições de trabalho degradantes, análogas à escravidão tradicional): vítimas, intermediários (popularmente conhecidos como ''gatos'') e os empregadores. O levantamento aponta que, em geral, o trabalhador exposto às condições degradantes de trabalho no Brasil é homem, negro, analfabeto funcional, tem idade média de 31,4 anos e renda declarada mensal de 1,3 salário mínimo. A maioria, 77%, nasceu no Nordeste. Entre os ''gatos'', o perfil se repete: negros e nordestinos. No entanto, a situação é modificada quando se refere aos empregadores, que são brancos e nascidos na Região Sudeste.
A pesquisa pretende desenvolver uma base de conhecimentos e subsidiar a elaboração de políticas para erradicação do trabalho escravo. É importante ressaltar que o trabalho forçado ou obrigatório é crime previsto no Código Penal com pena que varia de dois a oito anos de prisão, multa, além da punição correspondente à violência. No entanto, é sabido que a escravidão contemporânea ocorre em todos os Estados, não ficando limitada às regiões mais pobres. Um dos únicos pontos em comum é justamente o perfil dos trabalhadores: pessoas simples, que não tiveram outra oportunidade na vida. Uma realidade que só será modificada com investimentos em educação. Os programas sociais e de distribuição de renda, apesar das críticas, contribuíram para minimizar a miséria de parte da população. No entanto, as políticas não devem ficar restritas a esses programas. Melhorar o ensino público e incentivar a formação de jovens e adultos são políticas simples, mas que ainda precisam avançar.
A boa notícia, segundo a OIT, é que o Brasil é considerado um dos países que mais avançaram no combate ao trabalho escravo, sendo apontado como referência mundial, devido à capacidade de articulação entre o governo, a sociedade civil, o setor privado e organismos internacionais. Nos últimos 16 anos, mais de 40 mil trabalhadores foram resgatados dessa condição. Sem dúvida, um grande avanço, mas ainda longe do ideal.





