Submeter trabalhadores em condições análogas à escravidão em pleno século 21 é um verdadeiro absurdo. É inadmissível que empresas legalmente constituídas ainda utilizem essa prática vergonhosa. E, o mais surpreendente, é que isso ocorre em Estados considerados desenvolvidos como o Paraná. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 200 pessoas foram retiradas da exploração ilegal. O número é alto e revela uma melhora, uma vez que em 2010, 120 trabalhadores foram resgatados. No entanto não há motivo para comemorações.
De acordo com o MTE, atualmente a ''lista suja'' do trabalho escravo engloba o maior número de empresas já registradas. Atualizada no final do ano passado, a relação cresceu com a inclusão de 52 novos nomes e atingiu recorde de 294 nomes desde 2004, quando a relação foi criada. No Paraná, cinco novas ocorrências foram incluídas em 2011, o que atingiu 16 empregadores no total. Os principais problemas são encontrados em madeireiras, corte de pinus e plantações de erva-mate. O maior registro de casos, tanto de trabalhadores escravos resgatados como de empresas que utilizam a prática, ocorre no Pará, região Norte do País.
Geralmente os trabalhadores submetidos à condição escrava são pessoas sem escolaridade e qualificação profissional. Em muitos casos é uma das poucas saídas para a sobrevivência desses trabalhadores, fator que não pode ser justificado. Esses empregadores optam por explorar as pessoas, em busca de um lucro maior e mais fácil, uma vez que há o claro desrespeito às leis trabalhistas e previdenciárias. Com menos encargos e impostos, os custos são outros, bem menores.
A escravidão de trabalhadores é uma prática que deve ser erradicada. É uma mancha na história brasileira e que contribuiu sobremaneira para a disseminação do racismo e a sua permanência até hoje. Por isso, são importantes - e urgentes - os investimentos em educação e na capacitação desses trabalhadores. Somente com mais informação é que as pessoas ganham o poder de negociação, deixam de ser enganadas e passam a lutar pelos seus direitos.

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