Trabalho enfrentou resistências
As primeiras voluntárias da Pastoral da Criança enfrentaram resistência para entrar nas casas, pesar as crianças e orientar as mães. ''O começo não foi fácil, muitas mães não aceitavam a visita, não recebiam a gente com boa vontade, muito diferente de hoje, que nos recebem de braços abertos'', relata a dona de casa Laurinda dos Santos Silva (''Dona Lola''), de 58 anos, voluntária da Pastoral há 19 anos.
''O povo não aceitava, desconfiava porque a gente fazia 'muita' pergunta. Até a multimistura enfrentou preconceito, porque é farelo. A gente ganhava a confiança aos poucos'', relembra outra voluntária pioneira, Eunice Vicente Cardoso, de 53 anos, há 20 anos na Pastoral.
Outra dificuldade que enfrentavam era o fato de não levarem ''nada'' às famílias, apenas informação. ''Em casos extremos de pobreza, a gente até levava leite ou um alimento para a família, mas o lema da Pastoral não é dar o peixe, mas ensinar a pescar'', afirma Eunice. ''Tinha pai que falava: ajudar ou trazer coisas ninguém vem, mas 'encher' vem um monte'', recorda a zeladora Maria Jaci da Silva, de 47 anos, há 17 como voluntária, completando que o mais gratificante é ver hoje jovens saudáveis que ela ''salvou'' da desnutrição.
Para Eunice, quem ''veste a camisa'' da Pastoral é líder ''24 horas por dia, não importa o lugar''. ''A gente fica meio 'entrona', meio 'abelhuda'. Se eu vejo uma criança, por exemplo, usando mamadeira ou que acho que está anêmica já falo com a mãe para levá-la ao médico. Mesmo que ela não aceite o conselho, vai pensar no assunto''. C.P.





