Dizendo ser formado em Ciências Contábeis e cursar Física, o homem contratado pela repórter da FOLHA conta que começou a realizar este tipo de trabalho há vinte anos. ''Faço tudo, só não aplico a pesquisa de campo, porque não tenho equipe. No momento estou escrevendo três TCCs, um deles de nutrição'', declara o ''vendedor'', em seu escritório em uma casa confortável na Zona Oeste de Londrina.
Mesmo não possuindo conhecimento específico, ele garante que consegue escrever até sobre assuntos da área biológica, e inclusive planeja começar a dar aulas em faculdades - justamente sobre orientação de monografias. ''Vejo que os alunos têm muita dificuldade em escrever e achar as referências. Os orientadores falham muito nesse sentido'', critica.
Nota 4
O projeto de pesquisa encomendado pela reportagem foi entregue à professora Flávia Frutos, coordenadora do curso de Marketing da Unopar. Segundo ela, trata-se de um trabalho muito ruim no aspecto do conteúdo. ''O 'autor' usa várias fontes não confiáveis de textos da internet, além de conceitos errados. Numa busca simples, constatei que há vários trechos de plágio integralmente reproduzidos, mudando-se uma ou outra palavra'', avalia a professora.
Ponto a ponto ela comenta as falhas do ''profissional''. ''No trabalho fica claro que ele não entende nada. Escreveu achando que ninguém iria ler. Só batendo o olho nas referências bibliográficas, já teria ideia de que se tratava de um trabalho encomendado.'' Questionada sobre qual nota daria ao trabalho, Flávia é enfática: ''Se fosse meu aluno eu não aceitaria. Porém, se tivesse de lançar uma nota, não passaria de 4'', afirma. (M.T.)

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