Trabalhar legalmente nos EUA é possível
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de março de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
A ilegalidade enfrentada por milhões de brasileiros que imigram para os Estados Unidos da América (EUA), retratada na personagem Sol (interpretada pela atriz Deborah Secco) da novela América da Rede Globo, pode não ser um simples capricho, e sim o reflexo da dificuldade para se conseguir um trabalho na terra do Tio Sam. Todos concordam que o primeiro passo é encontrar uma vaga. Como? Vai depender da intenção, dos contatos, e especialmente da condição financeira do interessado.
A opção para muitos jovens que sonham com a América pode ser comtemplada por diversos programas de intercâmbios. Aqui em Londrina, algumas agências como a Central de Intercâmbios (CI) proporcionam o trabalho de férias. Segundo a surpervisora do programa, Priscilla Fonçatti Bassan, somente estudantes universitários, com idades entre 18 e 28 anos, podem fazer o trabalho de férias. ''Nestes casos o tempo que o brasileiro fica no exterior não ultrapassa os quatro meses'', explica Priscilla. E as atividades são, na maioria das vezes, ligadas a serviços de hotelaria e restaurantes.
A própria supervisora passou pelo programa em 2003. ''Eu fiquei no estado do Colorado e trabalhava em um hotel'', conta Priscilla. A jovem, que hoje tem 24 anos, estudava Turismo e quis aperfeiçoar o inglês. ''Tem gente que vai para juntar dinheiro, mas o que consegui eu usei para visitar Nova York'', relembra. Na época, a brasileira recebia US$ 9,00 por hora de trabalho. ''Foi muito bom, quando saí de lá meu inglês estava avançado. Além de ter conhecido muitas pessoas de outros países'', afirma.
Quanto a adaptação em terras americanas, Priscilla falou que o impacto maior foi no avião que seguiu de Dallas para Denver. ''Nesta conexão só havia americanos e eu tinha que descer em Denver e pegar um ônibus para outra cidade. Tudo em inglês'', recorda. Segundo ela, este ano, a CI de Londrina enviou mais 60 estudantes para trabalhar nas férias.
Assim como a Central de Intercâmbio, a Student Travel Bureau (STB) de Londrina (Agência Terra Nova) tem o programa ''Work'', que funciona da mesma forma que o trabalho de férias. Outra possibilidade oferecida pela STB é o programa de treinee, recentemente implantado pela empresa. ''Esse é para profissionais com dois anos de experiência nas áreas referentes às vagas, que querem fazer um espécie de estágio nos EUA'', explica a coordenadora do programa, Doren Faria. Marketing, hotelaria e finanças são os setores de trabalho. Na CI, o programa similar é o de estágios remunerados, no qual o candidato tem que possuir um domínio do inglês avançado.
Porém, o treinee da STB não disponibiliza a vaga. ''O candidato pode fazer pesquisas pela internet ou ter bons contatos para saber das oportunidades'', ressalta Doren. Este também pode ser o primeiro passo para quem deseja fazer tudo sozinho. Só que neste caso o interessado terá que possuir um documento da empresa que pretende contratá-lo. Só então ele poderá ir atrás da documentação necessária para conseguir sua entrada nos EUA.
As ''Job's Fair'' (Feira de empregos), promovidas por algumas unidades da CI, também podem ser um caminho. Ali, a pessoa que procura um emprego terá o contato direto com o empregador. ''O interessado olha as possibilidades e se candidata para três vagas. Depois ele passsa por uma entrevista e pode ser ou não contratado por uma das empresas'', relata Priscilla. Para as mulheres de 19 a 26 anos, o trabalho de babá (Au Pair) pode ser a porta de entrada na terra do Tio Sam. Os contratos podem durar até um ano e ainda serem renovados. Além disso, a babá já tem moradia garantida. As duas empresas oferecem o serviço.
Dados do Banco Central monstram que um passaporte falso pode custar de US$ 3 mil a US$ 7 mil. Já o preço para cruzar a fronterira do México para os EUA com ajuda ilegal varia entre US$ 7 mil a US$ 14 mil. Enquanto a remuneração do imigrante varia entre US$ 500 a US$ 1 mil por semana.


