Nascido em família de médicos, o catarinense Lucas Araújo Punder acostumou-se, desde pequeno, com a rotina da profissão. Nunca foi pressionado a segui-la, mas acabou ''naturalmente'' ingressando na faculdade de medicina, em 1993. Embora tenha resistido até o terceiro ano, bastaram 6 meses de curso para que descobrisse que ali não era o seu lugar. ''Sempre quis, em meu coração, trabalhar em função da vida'', lembra e, embora a medicina tenha essa proposta, diz que ''ela não toca no espírito das pessoas''. E era esse seu objetivo, desde que se tornara evangélico, com 18 anos.
A decisão de interromper o curso de medicina e iniciar o seminário caiu como uma bomba na família, que tinha outra orientação religiosa. ''Pensaram que eu tivesse ficado louco ou sofrido lavagem cerebral.'' Cortaram sua mesada e fecharam sua conta no banco, mas a batalha, que o deixou completamente sem apoio familiar, teve seu lado bom. ''Pela primeira vez, pude pensar por mim mesmo, decidir o que fazer da minha vida.'' A rejeição radical da família foi se suavizando com o tempo e, três anos após sua decisão, Lucas readquiriu o direito de passar o Natal em casa.
No primeiro ano de seminário, feito na Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, Lucas ''comeu'' todos os livros caríssimos de medicina que possuía. Contou também com a ajuda de sua igreja e com o ''apoio de Deus''. O momento difícil, no entanto, ficou definitivamente para trás. Foi ordenado pastor assistente no ano passado, quando também se casou e, hoje, com 29 anos, já tem a perspectiva de ter sua própria congregação, assumindo, a partir de dezembro, uma igreja em Florianópolis.

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