Trabalhando por conta própria
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de julho de 2019
Folha de Londrina 
O “trabalho por conta própria” bateu recorde. São 24 milhões de brasileiros atuando como autônomos ou ocupando vagas sem carteira assinada. É o que apontou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua referente ao trimestre encerrado em maio. O estudo é realizado desde 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Como a tão sonhada retomada do emprego formal ainda não aconteceu, muitos brasileiros estão tentando a sorte por conta própria e em apenas um ano essa modalidade de trabalho ganhou a adesão de 1,170 milhão de pessoas. Em um trimestre, foram 322 mil pessoas a mais nessa condição.
Mas ao contrário do que muita gente pensa, a categoria dos autônomos não é formada por pessoas de baixa renda ou sem formação. Estão incluídos todos aqueles que exercem a atividade profissional sem vínculo empregatício, por conta própria e fazendo seu próprio horário. Advogados, médicos, vendedores podem fazer parte desse enorme contingente de pessoas que optaram (ou não) por seguir a vida “sem patrão”.
Desde meados de 2014, quando a crise econômica brasileira começou, acarretando recessão, queda do Produto Interno Bruto e desemprego, o País viu crescer o empreendedorismo. Iniciativa que pode ter sido tomada por necessidade - quando o trabalhador não consegue se recolocar no mercado de trabalho formal - , ou mesmo por opção. Nesse último caso, a demissão acabou sendo a oportunidade para ir em busca do sonho de abrir o próprio negócio.
O número recorde de pessoas “por conta própria” leva a uma reflexão: como se preparar para um mercado de trabalho que está em plena transição? Isso porque não foi somente a crise econômica que impactou nessa nova relação cidadão e emprego. Mas o surgimento frequente de novas tecnologias teve participação nas mudanças e vai continuar influenciando.
É preciso tirar uma lição com esse novo cenário. Quem busca um emprego formal ou deseja empreender dificilmente terá sucesso sem buscar qualificação. E a qualificação profissional não pode ser preocupação somente do cidadão, mas também do poder público e das organizações que tratam de políticas de inclusão produtiva. Melhorar habilidades técnicas é essencial. Mas há atitudes que poderiam fazer parte da vida do brasileiro desde os bancos escolares: trabalho em equipe, liderança, motivação e empreendedorismo.
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