'TPM NO PODER' Tensão pré-ministerial agita novo governo
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domingo, 24 de novembro de 2002
Agência Estado 
Brasília Em época de montagem de primeiro escalão, os petistas e seus aliados estão sofrendo de TPM: tensão pré-ministerial. Os sintomas são os mesmos da outra TPM: ansiedade, nervos à flor da pele e tendência a depressão. Políticos como o deputado José Genoíno (SP), sempre bem falante, guardaram silêncio para evitar criar problemas para sua indicação. Outros fazem lobby pouco discreto para conseguir uma vaguinha.
À medida em que são confirmados na equipe de governo, porém, os ministeriáveis se acalmam e voltam a sorrir. Ao longo desta semana, foi visível a mudança de comportamento de integrantes do primeiro time petista como José Dirceu, Aloízio Mercadante, José Genoíno e Antônio Palocci Filho. Eles tiveram informações mais claras sobre seu papel no futuro governo depois que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, passou o fim de semana na Granja do Torto, em Brasília, esboçando sua equipe.
Até duas semanas atrás, José Dirceu fortalecia a cada dia sua reputação de pessoa irritadiça. Nos últimos dias, porém, parecia haver aderido ao estilo paz e amor. ''Estou me sentindo ótimo. Por recomendação de meu médico, Antônio Palocci, fui para Araxá tomar batida de maracujá. Estou que é um tranquilidade só. Vocês também deveriam fazer isso'', recomendou aos jornalistas.
Já estava claro que Lula daria um papel de destaque a Dirceu, mas esse poderia ser no Executivo ou no Legislativo. Na dúvida, ele disse com todas as letras o que queria. ''Não quero ser presidente da Câmara. Quero ficar no governo. Mas isso quem decide é o Lula'', afirmou na última terça-feira. Dirceu deverá ser o futuro ministro-chefe da Casa Civil.
O deputado José Genoíno é tão falante que seus colegas o nomearam, de brincadeira, como ''chefe da bancada do Salão Verde'', referindo-se ao espaço onde ocorrem as articulações e as entrevistas na Câmara dos Deputados. No entanto, do dia 28 de outubro até o início desta semana, Genoíno calou-se.
Na quarta-feira, inquieto por não ter recebido nenhum sinal de Lula, Genoíno dizia a amigos: ''Não fui convidado para nada, mas quero dizer que, convidado, aceito''. Não precisou esperar muito mais. Na noite de quarta, reuniu-se com Lula e saiu tranquilo. Ele deverá ficar com a Secretaria de Segurança Pública, criada especificamente para combater o crime.
O coordenador-geral da transição, Antônio Palocci, sofreu menos com a TPM. Em suas aparições públicas, mostrou-se sempre calmo e bem humorado. Depois de confirmado no Ministério e após renunciar à prefeitura de Ribeirão Preto, Palocci estava tão relaxado que abandonou seu estilo reservado e declarou a uma TV local que achava ''mais lógico'' chefiar o Ministério do Planejamento. Ele também é cotado para a Fazenda, dado seu bom diálogo com o mercado financeiro, os investidores e os organismos multilaterais de crédito.
A briga por cargos, porém, continua dentro e fora do PT. Não só os partidos aliados na campanha querem discutir ''as bases de apoio para o governo Lula''. Nesta semana, o cacique Marcos Terena e outras lideranças indígenas estiveram no escritório de transição pedindo mais verbas para a Fundação Nacional do Índio (Funai), pois o orçamento teve um corte de 30% de 2002 para 2003. Eles também pediram mais status para o órgão, que sairia do Ministério da Justiça para ficar ligado diretamente à Presidência da República. E querem que um índio ocupe a presidência da Funai turbinada. Quem? ''Não falamos em nomes'', respondeu Terena, com um largo sorriso.


