TORRE DE BABEL - Hegemonia inglesa sob ameaça?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Segundo estudo do British Council, embora o inglês seja claramente majoritário, em 2010 o idioma será usado em apenas 28,2% das conversas de negócios mundo afora, contra 22,8% do chinês, 5,6% do japonês e 5,2% do espanhol. Os números levantam a dúvida: estaria o inglês com os dias contados?
Para o professor doutor em Letras da Unesp José Carlos Aissa, mesmo que outras línguas de nações em desenvolvimento ganhem espaço, o inglês continuará sendo hegemônico, convivendo perfeitamente com os demais idiomas em ascensão.
O senhor acredita que a carência do inglês já não será a barreira que foi antes?
Já me deparei com vários anúncios de empregos no Japão que traziam o inglês como requisito com o comentário de que não era necessário saber japonês. Ora, isso tem de ser significativo! O inglês poderá dar as mãos a outros idiomas em termos de comunicação internacional, mas perder sua funcionalidade é algo bastante improvável, até por estar muito mais disseminado nos sistemas escolares do mundo todo.
Mas o inglês continuará sendo lido e escrito na mesma frequência?
Se considerarmos que dois terços dos cientistas do mundo lêem e escrevem em inglês e que 80% da informação armazenada eletronicamente no mundo está nesse idioma, podemos entender a importância da língua inglesa como ferramenta de informação tecnológica.
A hegemonia de uma língua desabona as outras? Ou somente aquelas com pretensões hegemônicas?
É óbvio que qualquer tipo de idioma produz sentidos que expressam intenções de seus enunciadores. Contudo, ele não tem vocação para o bem ou para o mal; são seus usuários que o manipulam. As pretensões hegemônicas advêm de quem utiliza o idioma. Vemos com frequência a língua oficial de um país ser usada pela classe dominante de uma nação para manipular os outros cidadãos. Aprender bem um idioma é o melhor método para interpretar atitudes de dominação político-econômico-cultural.
A chave da subida ou queda do inglês está na ascensão da China e da Índia?
A presença mais significativa desses países na economia global coloca seus respectivos idiomas nacionais, principalmente no caso do chinês, em posição de grande destaque. Essas economias emergentes trarão impactos em todos os sentidos. No entanto, na função de tradutor juramentado, faço inúmeras traduções para o português de documentos pessoais e comerciais, vertidos para o inglês a partir do chinês, do bengali e até mesmo do árabe. Percebo que o inglês continua com extrema funcionalidade, portanto, sem preocupações de hegemonia político-cultural, que mais me parecem paranóia dos já ultrapassados ''marxistas'' de plantão, talvez com leitura equivocada das obras de Marx.
Diante desse bombardeio de informações, os alunos devem buscar quais idiomas?
No futuro, o multilinguismo e o multiculturalismo serão vantagens competitivas de valor imensurável. Portanto, nessa história de quais idiomas se deva aprender de agora em diante, a resposta é uma só: quanto mais, melhor. Porém, a mobilidade na busca de melhores oportunidades profissionais e a expansão comercial entre as diversas nações emergentes ajudarão a determinar as escolhas. Para nós, aqui no Brasil, o espanhol e o inglês continuarão a ser prioridade, até porque somos uma ilha lusófona (ainda que imensa) num oceano hispânico, que tem maior grau de interconectividade com o restante do planeta.
Serviço:
José Carlos Aisse estará em Londrina para o Bras Tesol, evento que debate as questões voltadas ao ensino do inglês hoje, das 8h às 18h, no Teatro Marista. Outras informações pelos telefones (43)3344-0100 e 3323-7733.


