Recomeçaram os jogos de guerra entre Estados Unidos e Iraque, a exemplo do que ocorreu no início do ano. De um lado o superarsenal norte-americano, do outro soldados que foram preparados para enfrentar um inimigo no melhor estilo Davi e Golias, sob o comando de Saddam Hussein.
O presidente do Iraque voltou a bater de frente com o país mais poderoso do Planeta, no uso de sua atribuição de representante-mor da Organização das Nações Unidas, cujas determinações Saddam não quer cumprir. Alega, como da outra vez, que os interesses americanos estão acima dos da ONU. Afinal, segundo ele, são mais de sete anos colaborando com os homens encarregados de observar se o Iraque não dispõe nem terá capacidade de dispor de armas de destruição em massa, capazes de ameaçar seus vizinhos Israel, Kuweit e Arábia Saudita, protegidos pelos Estados Unidos, e até mesmo o Irã, com quem travou uma guerra de 1980 a 1988.
Nesse ínterim, quem paga a conta são os iraquianos mais pobres. Faltam comida, remédios, água potável, entre outras coisas no país. As crianças, mais frágeis e indefesas, morrem sem que seus pais possam fazer o suficiente para impedir. Tudo por conta do embargo imposto pelas Nações Unidas há sete anos, cujo fim depende da comprovação, pela comissão de inspetores da ONU, de que Saddam não tem condições de atacar ninguém com armas químicas.
Temendo o pior, o presidente iraquiano busca aliados que possam evitar uma ofensiva militar americana. Só que russos e franceses, com quem pôde contar em fevereiro para o equilíbrio de forças no Conselho de Segurança da ONU, não parecem dispostos, pelo menos por enquanto, a bater novamente de frente com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha em defesa do Iraque.
Kofi Annan, secretário-geral das Nações Unidas, responsável por um acordo de última hora com o governo iraquiano, evitando um confronto armado há nove meses, parece não saber como agir desta vez, principalmente depois de os americanos insistirem na tese de que Saddam sabe exatamente o que deve ser feito para evitar o pior. Além disso, segundo os comandados de Bill Clinton, a hora da diplomacia já passou.
Como a máquina de guerra norte-americana estava às portas da casa de Saddam em fevereiro, mas nada de mais grave aconteceu a não ser um supergasto financeiro de mais de US$ 600 milhões por parte dos americanos com o deslocamento e manutenção de suas tropas, espera-se que volte a prevalecer o bom senso, e o diálogo fale mais alto que o som das bombas, para o bem, especialmente, dos iraquianos.
Saddam, até agora, parece conhecer o limite da paciência de Clinton, mas sabe também que não tem condições de enfrentar os Estados Unidos militarmente. No início do ano, ele blefou até o último momento, mas acabou reconhecendo que o jogo estava perdido.
Não cabe aqui julgar se o presidente iraquiano está cumprindo sua parte em relação à ONU, mas, certamente, desafiar abertamente os norte-americanos não é a melhor maneira de alcançar seu objetivo de as Nações Unidas encerrarem o embargo econômico contra seu país.

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