Toni Blair e FHC
Toni Blair e FHC
Paulo Cordeiro
Vejo com entusiasmo o convite feito por Toni Blair aos líderes da social-democracia européia e ao presidente Fernando Henrique, para a discussão de uma Terceira Via ideológica na implementação das políticas de governo neste limiar do terceiro milênio.
A aliança entre a social-democracia e o liberalismo econômico no Brasil fez nascer a filosofia social-liberal já encampada por FHC, e, quando os neotrabalhadores de Toni Blair ganharam as eleições no Reino Unido, isto se deu também com uma plataforma social-liberal, ou seja, a diminuição do tamanho do Estado e o modelo de privatização formulado pelo tatcherismo, mantido intacto, prometendo não um Estado mínimo, mas um Estado que viesse a atender com eficiência os anseios do cidadão. Um Estado que garanta os direitos dos trabalhadores, como a saúde, educação segurança, e a possibilidade de concorrer no mercado de trabalho global.
Entendo que antigos dogmas estão superados, como o liberalismo da escola de Chicago (neoliberalismo), no qual tudo depende do mercado, com o Estado interferindo com quase nada na economia; ou a social-democracia paternalista, do Estado gigante, dos interesses corporativos, na qual o Estado Social é uma feira de ilusões e só leva à bancarrota econômica, inflação galopante, ao desemprego e à pobreza. Por isso, o convite de Toni Blair pode levar FHC a definir o futuro do Brasil como carro-chefe da América Latina, nesta Terceira Via.
FHC sabe que o Brasil não pode lutar contra a pobreza se não for reformado, se não ceder espaço à iniciativa privada para administrar o que hoje os tecnocratas administram mal, com desordem e ineficiência. Sabe também que a nau irá à deriva se não sanear as finanças controlando os desatinos dos gastos públicos, a inflação, as emissões irresponsáveis de moeda. Sem desenvolvimento econômico não há erradicação possível da pobreza.
A riqueza do Brasil pode ser feita com poupança, com esforço, com investimentos nacionais e estrangeiros, criando desenvolvimento e multiplicando empresas sob a égide de uma economia de mercado. A Terceira Via será um novo pacto, com o qual o Estado garantirá a liberdade de mercado e da competição econômica, ressalvando ao mesmo tempo o dever de dar condições básicas de cidadania à população, que, assim, sentirá que seu voto é útil, que ele decide os destinos do país, e não que apenas o mercado dá as cartas.
FHC e Toni Blair há muito já falam a mesma linguagem. A resposta positiva de FHC ao chamamento do líder britânico nos coloca nos centro das decisões mundiais pela primeira vez. Vamos continuar as reformas para nos habilitarmos a sermos atores e não coadjuvantes nessa arena global. Os monopólios público e privado são fontes de abuso e a livre concorrência é o melhor instrumento de regulação e de proteção ao consumidor. As regulações excessivas, os controles de câmbio, da importação e da exportação, as barreiras fiscais e os subsídios são geradores de privilégios indevidos e de corrupção, como atestam nossas experiências até aqui, sendo que qualquer um que examine com honestidade semelhante estado de coisas compreenderá que deveremos mudá-las através de privatizações e políticas de abertura.
Monopólios, privilégios, corrupção, entraves de todo tipo, burocracia, empresas de serviço público ineficientes e caras, corroídas pelo clientelismo político, vícios que têm os seus dias contados com a proposta em discussão para a Terceira Via.
Portanto, não o Estado mínimo, mas o Estado necessário, atendendo eficientemente o cidadão e seus anseios no que diz respeito à saúde, seguridade social, educação, segurança, assegurando-lhe o necessário para as condições básicas de cidadania.
- PAULO CORDEIRO é deputado federal pelo PFL/PR
Artigo resumido para adequar-se ao espaço disponível





