Tolerância zero contra a bebida
É um avanço a lei aprovada nesta semana pelo Senado Federal que determina o fim da tolerância mínima de álcool para motoristas. Além de determinar a ''tolerância zero'' para quem dirige, o projeto, entre outros itens, ainda prevê a aceitação de imagens e testemunhas para provar a embriaguez de um condutor que se negar a fazer o teste do bafômetro e o aumento de penas para quem dirigir alcoolizado. Agora, é preciso mobilização da sociedade para aprovar o projeto na Câmara dos Deputados e, posteriormente, passar pela sanção presidencial.
Embora não se tenha uma estatística específica sobre a quantidade de acidentes e mortes provocados por motoristas embriagados, é sabido que a combinação entre bebida e direção tem se tornado prática rotineira em rodovias, estradas e ruas do Paraná. Em Londrina, por exemplo, dados da Polícia Militar apontam que até agosto 145 pessoas foram flagradas dirigindo sob influência de álcool. Levantamento do Departamento de Trânsito do Paraná revela que no ano passado 9.984 motoristas foram autuados por dirigir sob influência de álcool, o que totaliza uma média de 27 autuações por dia, mais de uma por hora.
Além das autuações, o fato é que os acidentes continuam matando pessoas nas estradas brasileiras. Números divulgados pelo Ministério da Saúde contabilizam 40.610 vítimas fatais no ano passado, resultado 8% maior do que o registrado em 2009. Mesmo sem especificar quantos acidentes são provocados por motoristas bêbados, a avaliação é que a embriaguez é uma das principais causas. Fato que precisa ser modificado com urgência.
Atualmente a lei considera crime dirigir com seis ou mais decigramas de álcool por litro de sangue, quantidade atingida com o consumo de cerca de uma lata de cerveja ou uma taça de vinho. Abaixo dessa quantidade, a punição é multa e suspensão da carteira de habilitação. No entanto, como dificilmente há comprovação da embriaguez, uma vez que a maioria dos motoristas se recusa a passar pelo teste, a impunidade corre solta. O resultado - trágico - todos já conhecem.





