A crise econômica mundial, iniciada em setembro de 2008, reduziu em 2009 a carga tributária na maioria dos países industrializados. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a carga tributária média na América Latina, que em 2008 era de 34,8%, caiu para 33,7% no ano passado. Enfim, diante da crise todos os países do mundo, principalmente os emergentes desoneraram seu custo e reduziram o tributo.
  O Brasil não seguiu a lógica. No Brasil, a carga tributária teve queda de apenas 0,2 ponto percentual, de 34,7% em 2008 para 34,5% no ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT) ao repórter Marcos Cézari, da Folhapress.
  Veja só: mesmo com essa queda, o país subiu quatro posições no ranking dos países que mais tributam os contribuintes. Segundo o IBPT, tomando por base o ranking da OCDE, o Brasil ocuparia o 14º lugar em 2009 (era o 18º em 2008), ficando à frente do Reino Unido, da Espanha, da Suíça e dos Estados Unidos. A ‘‘subida’’ do Brasil no ranking ocorreu porque outros países - Reino Unido, Islândia, Holanda e Portugal - tiveram reduções maiores em suas cargas fiscais. Você, leitor, compararia os serviços de educação e saúde em qualquer um desses países com o Brasil?
  A carga tributária (ou fiscal) é a soma de todos os tributos pagos pelos contribuintes em relação ao PIB. O principal motivo para a pequena queda foram as desonerações fiscais concedidas pelo governo federal. Uma das principais medidas foi a redução das alíquotas do IPI de setores industriais (veículos, eletrodomésticos da linha branca, material de construção e móveis).
  Neste ano, a carga tributária volta a bater recorde no Brasil devido ao crescimento econômico. Mesmo com o avanço do PIB (a previsão é de 7,5%), a carga vai aumentar porque o governo cortou algumas das desonerações de 2009, como o IPI para veículos. E haverá novo aumento da carga fiscal em 2011, uma vez que a tabela do IR na fonte não deverá ser corrigida.
  Agora, o mais inocente dos viventes, entende as razões de os políticos aumentarem tanto seus salários. Dinheiro nos cofres públicos sai pelo ladrão.

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