Histórias de corrupção na vida pública brasileira não constituem novidade, e o que ocorre agora é uma corrente que se tornou muito intensa, por haver eclodido em Brasília de forma avassaladora e ter se alastrado, incontida, como fogo em capim seco. Doravante, onde quer que se acenda um fósforo em busca de luz nesse campo de penumbras, labaredas logo se formam e se propagam. Londrina, de administração petista, agora converte-se em novo foco e atrai os tentáculos da investigação, pelos indicativos da presença do famigerado caixa 2 na campanha do atual prefeito. Embora não faltem os denunciadores oportunistas, movidos por razões diversas – como fez o deputado Roberto Jefferson ao acionar o gatilho – sem eles não teriam acontecido as denúncias e tanto lixo não estaria sendo revolvido. Espera-se, ao menos, que algumas figuras notórias sejam apeadas do poder e que o eleitorado não perca a memória no próximo momento do voto. Mas não dá para não perceber a desfaçatez dos políticos e demais envolvidos nas denúncias que vão sendo trazidas a lume. Obviamente que todos se proclamam inocentes, declarando nada ter visto e nada saber. Já houve renúncia de mandato, não por patriotismo mas para fuga de cassação e da conseqüente inelegibilidade, e assim abrir possibilidade para o retorno. Outros abandonam funções executivas, certamente por igual conveniência estratégica. Todos os envolvidos em denúncias e investigações proclamam-se inocentes, mas com toda certeza não existe um só brasileiro que acredite nisso. Infelizmente para o regime, palavra de político já não encontra credibilidade, e mesmo os bons ficam sob a mira da desconfiança popular. Há no seio da sociedade um clamor por varredura total nesse campo minado, embora ainda escasseie a responsabilidade do eleitorado quando reelege esses tantos suspeitos, que não se pode dizer culpados porque, por força de lei, a palavra final é a que será dada pelas cortes, por julgamento ou caducidade processual. Por estes dias também Londrina foi descoberta fervilhando no mesmo caldeirão, por conta de denúncias de caixa 2, que é a que acolhe a muamba que chega acondicionada em malas e cuecas – leia-se as contribuições financeiras não-contabilizadas das campanhas eleitorais e as que nutrem os mensalões. Algumas supostamente oriundas de empresas estatais e outras de empresas privadas. Nada que o povo não venha a pagar, porque ninguém ajuda sem esperar uma contrapartida. No caso de Londrina, a tentativa de impedir a vinda da rede Walt-Mart (um processo ainda em andamento) foi um dos sintomas, e não deve ter sido gratuito. Com isso a cidade perde. Nem sempre o mais importante é saber de onde parte a ajuda financeira, mas importa saber para onde ela se destina, e se esse destino for um partido político ou um candidato, já se sabe que isto entrará na conta de débito da sociedade, pois ela é que acabará sendo a pagadora. Se o PT apresentava-se como o último reduto da moralidade pública, viu-se, na prática, que essa plataforma não tinha sustentação e desmoronou. No conceito dos cidadãos, onde há poder (ou quando se chega ao poder) já não há inocentes.

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