''Todo homem tem um preço e os políticos do Brasil tá num leilão tá tudo na promoção (sic).'' A semana termina marcada por essa frase emblemática do empresário Ludovico Bonato, preso preventivamente há 25 dias acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha no caso de pagamento de propina a agentes públicos, durante conversa telefônica com o irmão Sérgio Bonato. O objetivo era tentar barrar a criação de uma comissão processamente na Câmara de Vereadores contra o prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT).
O diálogo integra as gravações feitas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) durante investigação do suposto esquema denunciado pelo vereador Amauri Cardoso (PSDB), e que culminou com a prisão do chefe de Gabinete de Barbosa, Rogério Ortega, do ex-secretário de Gestão Marco Cito, do próprio Ludovico e do então diretor de Participações da Sercomtel, Alysson Tobias de Carvalho. O sigilo das gravações foi liberado à imprensa anteontem pelo Gaeco.
A frase do empresário de Londrina mostra o descrédito no qual caíram os políticos brasileiros, até mesmo entre os seus pares. Bonato, uma das peças fundamentais do esquema de corrupção local, debocha claramente dos ''companheiros'' ao afirmar que os políticos do Brasil estão em um leilão.
De fato, a afirmação é facilmente comprovada diariamente em notícias divulgadas pela imprensa, a começar pela Capital federal, Brasília. A imagem do senador Demóstenes Torres (DEM) ruiu com denúncias de envolvimento com o ''empresário'' Carlinhos Cachoeira, que explorava os jogos caças-níqueis. Demóstenes havia construído cuidadosamente sua imagem como um ''paladino da justiça'' e era visto desta forma pela opinião pública, como um dos poucos políticos acima de qualquer suspeita. Tudo uma farsa. A rede de Cachoeira montada em praticamente todas as esferas de poder incluía deputados, senadores, delegados federais, entre vários outros agentes públicos.
Os fatos comprovam que a afirmação que ''todo homem tem um preço'' é verídica, ao menos parcialmente. Todo homem sem qualquer valor moral ou ético. Todo homem que valoriza o dinheiro sobre todas as coisas e que acredita que deve ''levar vantagem'' sobre os demais. Todo homem que esquece que política deve ser feita - e pensada - para o bem de todos e não apenas para um grupo.

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