Embora a descrença dos brasileiros nos políticos, ainda não se inventou regime melhor que a democracia, e é preciso persistir na luta para melhorar a qualidade dos homens públicos. O processo eleitoral é um dos meios, mas não o único, porque será necessária a ação policiadora aos eleitos durante todos os dias de seu mandato. Amanhã, 65% da população do Brasil decidem, por todo o povo, quem vai administar as prefeituras e as câmaras de vereadores nos próximos quatro anos, a partir de janeiro.
  Quase metade dos candidatos a prefeito das capitais tem pendências na Justiça, e esta amostragem corresponde, sem sombra de dúvida, à mesma proporção no restante dos municípios onde muitos concorrem à reeleição (em continuidade) ou já comandaram a administração pública em outros tempos. Com relação aos candidatos à reeleição às câmaras, pode-se concluir que a situação é semelhante. Porque, por onde passa um governante ou um parlamentar – ressalvadas as exceções – aí fica um rastro de corrupção ou de desmando, de má aplicação de dinheiro, de muita mordomia ou de baixa operância.
  Muitos candidatos são estreantes, e estes são uma incógnita sobre como se comportarão se eleitos, porque o poder é sedutor e induz a desvios. Se a escolha dos considerados melhores não é garantia de probidade, não há outra forma senão fazer o melhor selecionamento. Porque os que se lançam na vida pública buscando votos são egressos do meio social, e este é um universo de multifacetadas personalidades. Eles, portanto, representam a sociedade e são o que ela disponibiliza, e o caminho a percorrer ainda é longo para se chegar à purificação de todo o tecido social. É preciso votar e evitar o voto nulo que venha a favorecer candidatos que podem ser os piores. Todo cidadão deve ser um político e exercer política, no sentido de policiar os que são conduzidos ao poder e de participar do processo de aperfeiçoamento das instituições e das coisas que são comuns a todos.
  O que não pode ocorrer – como se lê nos jornais – é cidadãos declarando que não se interessam por política. Se essa postura mais parece um repúdio à politicalha vergonhosa, esses indiferentes devem saber que serão beneficiados pelas boas coisas das políticas públicas ou tangidos pelos atos governamentais nefastos. Ninguém fica à margem do processo. Este sábado é um dia de reflexão, porque amanhã uma decisão precisa ser tomada.

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