Um grupo de estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ocupou espaço domingo entre uma barraca e outra da feira livre, na Avenida São Paulo. Seus integrantes venderam pizzas, cuja renda seria para ‘‘ajudar os estudantes’’.
Poucos dos consumidores que frequentam o local pararam para questionar sobre a real destinação do dinheiro. Ao que se sabe, os estudantes sofrem prejuízos acadêmicos com a paralisação de 135 dias dos professores e funcionários da instituição de ensino superior. Já os prejuízos econômicos estes poderão sofrer depois, quando já estiverem no mercado de trabalho e perceberem que passaram por uma escola que não pode oferecer a eles tudo o que tinham direito de aprender.
O jornalismo é assim. Todos os ângulos de um objeto devem ser conferidos, checados, analisados. Da mesma forma, as múltiplas facetas de um problema merecem atenção. Se a greve é justa, diz-se que ela é justa. Se é abusiva, a realidade tem que ser mostrada. Se alunos vendem pizzas para arrecadar dinheiro, alegando que precisam de ajuda, uma boa cobertura jornalística exige que se analise: a ajuda monetária dada aos estudantes, com a compra de uma ou duas pizzas, tem algum peso no impasse que deixa milhares fora das salas de aula? O jornalismo não pode ser caolho.

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