TítuloA necessária ofensiva contra a poluição sonora
Medidas contra a poluição sonora depois das 23 horas devem ser adotadas com severidade, em Londrina, e age acertadamente a promotora Solange Vicentin, de Defesa do Meio Ambiente, ao anunciar fiscalização permanente sobre estabelecimentos acusados de transgredir a lei silêncio ao não adotarem proteção acústica. Não pode haver condescendência, porque os abusos correm a rédeas soltas e ninguém pode alegar ignorância da lei. Se todos têm o direito de divertir-se, esse direito não é tirado de ninguém, só bastando os estabelecimentos do gênero se adaptarem às normas legais.
Os cidadãos têm igual direito ao sossego noturno, porque a maioria trabalha e precisa descansar e levantar cedo no dia seguinte. A fiscalização deve ficar atenta também ao ruído abusivo dos automóveis em torno de bares, clubes sociais e restaurantes, dos aparelhos de som dos veículos e também do vozerio das pessoas. O rigor no policiamento não tirará a qualidade do lazer noturno, mas ao contrário, o tornará mais sadio e com a simpatia da população. A promotora de Defesa do Meio Ambiente precisa ter a coragem de implantar medida ainda mais severa: a de proibir os bailes depois das 24 horas, porque a justiça tem de ser para todos.
O Brasil e alguns outros países atrasados do mundo são os únicos onde as farras noturnas desse gênero são permitidas, isto incluindo os bailes, a não ser em ambientes fechadíssimos, onde não vasa sequer um decibel de som. Para aclarar as mentes obscuras - que acham que a farra solta pelas madrugadas é sinal de avanço de uma cidade - cite-se o exemplo das maiores cidades do mundo: Nova York, Londres, Paris, Tóquio, Seul, Hong Kong, onde tudo fecha depois das 23 horas, a não ser as casas exclusivas, que não permitem ruídos externos. Tóquio fecha tudo às 22 horas, incluindo restaurantes. Quem vai a Nova York sabe que só se encontra abertas, depois das 22h30, as pizzarias e alguns pontos da Broadway e do Greenwich Village, e nem por isso a majestosa metrópole perde o seu charme. Em Seul, na Coréia - cidade com mais de 8 milhões de habitantes - quem for surpreendido nas ruas depois da meia-noite terá de explicar-se às rondas policiais.
Ocorre que nessas cidades civilizadas as festas começam cedo, geralmente às 18 horas, e até o horário limite de fechamento é possível fazer muita farra. É da tradição brasileira a maioria das festas começarem cedo e terminarem meia-noite -coquetéis, cerimônias de casamento e de formatura, uma conferência, uma reunião de homenagem, um lançamento, uma inauguração - e os barulhentos bailes tenham de começar justamente à meia-noite, com o ruído martelando a cabeça da vizinhança até 5h30 da madrugada.
A pressão da Promotoria precisa focalizar também os músicos, que, sem exceção, imaginam que eles são o espetáculo e a atração de uma reunião festiva, quando são apenas um acessório. Quanto mais baixa e suave a música, melhor o evento. Eles apreciam mostrar serviço e, por isso, explodem no instrumental, na percussão e no show dos cantores, que ainda querem ser animadoras da platéia. As concentrações noturnas em postos de combustíveis são outro absurdo, de poluição e de perigo. Regularização de horário e de volume de som não tira emprego de ninguém. Com harmonia e respeito ao sossego alheio todos irão ganhar.





