Notícia rara, decisão inusitada, anunciada sexta-feira. Tão singular que já tem gente duvidando do resultado. O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo irá investigar a denúncia de crime ambiental praticado por assentados no município de Pederneiras naquele Estado. Autorizados pelo Incra, eles cortaram e venderam eucaliptos. Cerca de 400 famílias do MST e outros movimentos teriam construído fornos para fazer carvão dos restos de floresta.
Na verdade, a ousadia desses movimentos vai muito além da simples queima de reservas que, no caso de São Paulo, pode até ganhar característica de plantio para fins industriais. Às vezes, eles queimam as sedes das fazendas.
Mas, a notícia pelo menos mostra um MPF atento; acatou a denúncia. Por isso, é impossível não perguntar: e o estrago na Fazenda Araupel, no Estado do Paraná, que fim levou?
A caracterização de crime ambiental pede investigações. E os crimes de ameaça às pessoas? Quem se preocupa em caracterizá-los? Ou, ao menos, apurar a veracidade das denúncias?
A esta altura, a formação de uma CPI para apurar eventuais crimes praticados pelo MST e outros movimetnos, tem pelo menos, a chance de levantar dados; alguns dados. Sim porque achar que as recomendações da CPI culminarão com medidas para evitar a violência seria muito otimismo. Impedir as invasões, então, seria um sonho. Se a CPI apresentar algo para conter a agressividade das invasões seria uma vitória em favor da vida. Ninguém está, sequer, falando em projeto fundiário alternativo, por exemplo. Basta evitar a violência contra as famílias do dono e dos empregados.
No Brasil, as instituições que, formalmente, deveriam impedir a violência no campo não agem com firmeza. Ou porque não querem o enfrentamento com o governo federal, que é favorável aos movimentos; ou porque temem represálias dos militantes. Ou, então, apenas por comodismo.
Uma coisa é certa, para alívio geral. Ainda que a CPI do MST seja um fiasco retumbante - como as outras CPIs -, que pelo menos venham à tona dados comprobatórios das barbaridaes que contecem nas
invasões.
Pensando bem, a CPI também será uma oportunidade para o governo Lula explicar o repasse de portentosas verbas para ONGs dirigidas por pessoas ligadas ao movimento. Teriam sido o equivalente a 145 milhões de reais, entre 2003 e 2008.

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