Times alerta sobre 'Estado forte'
Esta FOLHA foi o primeiro jornal a estimular a discussão sobre a proposta da candidata Dilma Rousseff de aumentar a presença do Estado. Para maior clareza, Dilma tem que ser mais explícita sobre o que pretende com o ''Estado forte'' que anda defendendo. Estado forte que atropele os direitos dos cidadãos? Não. Chega aquele do golpe de 64. Mas um Estado forte na Educação, para melhorar o ensino público, por exemplo, é muito bem-vindo. Precisamos um Estado forte para impor melhoria na saúde, para que pessoas não continuem morrendo à espera de médicos do SUS. Os brasileiros também querem um Estado forte! Nessa linha de pensamento. Agora, um estado forte só para cobrar impostos? Já temos. Para subordinar o Judiciário e fazer prosperar a impunidade... também já temos.
Ontem o assunto ganhou espaço num jornal de prestígio mundial. O tamanho do Estado deve dominar as discussões da corrida presidencial no Brasil, avalia o Financial Times (FT). Segundo o jornal britânico, o presidente Lula não esconde que quer que os eleitores vejam a votação de outubro como um plebiscito sobre seus oito anos no poder. Mas o plebiscito será diferente: se o governo deve ter um papel maior ou menor na economia. A estratégia é criar grandes empresas de energia e telecomunicações, revertendo a política adotada nos anos 1990.
O economista-chefe do Goldman Sachs e criador do acrônimo Bric, Jim O'Neill, diz ao FT que não vê problemas em algumas políticas mais à esquerda do governo. Ele acredita que o fortalecimento de estatais poderia assegurar investimentos em infraestrutura que a iniciativa privada não arcaria sozinha. No entanto, O'Neill avalia que o aumento do tamanho da máquina pública não iria funcionar. ''Um Estado maior sufocaria o setor privado. Se você quer taxas de juros mais baixas, você precisa reduzir o tamanho do Estado'', disse ao FT.
O jornal lembra que Lula manteve os pilares ortodoxos da estratégia econômica introduzidos pelo seu antecessor. Agora, muitos investidores sentem que essa política está tão fortificada que ''pouco importa quem ganhar em outubro''. Para O'Neill, no entanto, essa avaliação é um erro. ''Me preocupa que as pessoas pensem que a eleição não importa'', disse o economista-chefe do Goldman Sachs.





