Para receber débitos atrasados de clubes de futebol com FGTS, receita tributária, receita previdenciária e outros, o Governo mais uma vez enfia a mão no bolso do povo, criado a timemania, nova forma de aposta lançada ontem, com a presença do presidente Lula. De uma receita de R$ 520 milhões estimada para os primeiros 12 meses, serão destinados 22% àquelas contas. Que, se beneficiam os devedores endividados, beneficiam sobretudo o credor, que é o Governo. Sobram 78%, e dali será retirado o montante dos prêmios aos apostadores, conforme é anunciado.
Lotos são formas indiretas de impostos, porque o Governo retira fortunas do meio circulante, todos os dias, e com o consentimento do povo que aposta. Mesmo que parte dessa arrecadação se destine a fins esportivos e sociais, mais a parte dos prêmios, isto representa uma sangria, porque é dinheiro que deixa de circular e que, em muitos casos, é retirado da cota do leite das crianças. Se há a concordância do apostador, estas tentações para o jogo não deixam de ser uma forma de vitimologia a que as pessoas são submetidas. (Vitimologia é um ramo do Direito previsto como algo que induz, e no caso do jogo é o aceno do ganho de grandes boladas). O rótulo do Governo para justificar essa nova jogada arrecadadora é, além de os clubes regularizarem sua situação fiscal (com o dinheiro do povo), favorecê-los na ôretomada à sua capacidade de investimento".
É de perguntar-se se deveria existir, também, uma loto para reativar empresas em dificuldades financeiras e igualmente devedoras de impostos atrasados. Naturalmente que isto, assim como o caso dos clubes de futebol (muitos mobilizando somas fabulosas na compra e venda de jogadores e pagando salários descomunais a alguns deles e a técnicos), não seria justo, por retirar dinheiro do povo para quitar dívidas alheias. Os cidadãos, que com razão protestam contra a pesadíssima carga tributária, nem se apercebem que as diferentes modalidades de jogo oficial são formas de canalização contínua de dinheiro do povo para os cofres do Tesouro, mesmo que o sistema sirva a várias causas sociais e ao retorno correspondente aos prêmios.
Ocorre que o poder público já arrecada o suficiente para beneficiar o esporte, o fundo de cultura, os comitês olímpicos, a seguridade social, o fundo de financiamento ao estudante de nível superior, o fundo penitenciário e o imposto de renda, citados nos volantes de aposta. Neste último caso (13,8%), beneficiando a si mesmo. As lotos são receita adicional para o Governo atender a fins sociais de sua atribuição e que já contam com enorme volume de recursos embutidos nos impostos regulares. Natural que quanto maior a receita mais pródiga a gastança desordenada, mais superfaturamentos e mais gastos exorbitantes com a máquina governamental.

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