TIME DE VENCEDORES
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domingo, 02 de fevereiro de 2003
Renê Muller<br>Reportagem Local 
A dona de casa aposentada Francisca Moreira de Oliveira, 84 anos, não se importou com a chuva e com o inchaço das pernas na manhã de sexta-feira. Junto com outros 30 companheiros, boa parte deles longe da idade em que as pessoas seriam consideradas ''jovens'', ela caminhou com passadas pequenas, mas determinadas, os 2,2 quilômetros de passeio do Lago Igapó Dois. ''É bom, né? Eu vivia muito parada, agora estou mais animada. Tomava quatro remédios, mas agora, só estou precisando tomar dois'', revela durante o passeio.
Dona Francisca é uma dessas pessoas que há um ano e dois meses encontram-se a cada semana no centro comunitário do Conjunto Avelino Vieira, ou Panissa, na Zona Oeste de Londrina. Elas sofrem de diferentes males, como a hipertensão, a diabetes e a depressão. A maior parte já passou dos 60. Mas ninguém do grupo perde a vontade de viver e superar as adversidades. As atividades físicas também são semanais, como parte de um conjunto de atividades desenvolvidas pelo Programa Saúde da Família. ''Nós tivemos a sorte de organizar uma turma tão unida como essa. Eles se ajudam e estimulam-se uns aos outros'', afirma a enfermeira Solange de Almeida Frederico, que coordena os trabalhos.
Já durante a sessão de alongamentos, ministrada por uma fisioterapêuta, a turma leva a sério as atividades. Tem gente que dribla peso e idade para tocar o pé com a ponta dos dedos, ou levantar a perna para alongar os músculos e ligamentos do joelho. Uma delas é outra Francisca, a Francisca Garcia. Aos 70 anos, ela nasceu e criou os filhos na roça. Ainda mostra um pouco do vigor obtido com os anos de trabalho pesado.
Também faz a ginástica da terceira idade no centro comunitário e não perde a oportunidade que surge para um passeio. Mesmo com a diabetes, que ficou controlada, e com a pressão alta. ''Primeiro um médico aconselhou a não andar. Outra médica disse que eu devia me exercitar, e eu venho fazendo isso até hoje'', afirma. ''Faz bem para a minha cabeça e para o meu corpo'', acrescenta.
Mas quem dá a melhor idéia do que é lutar contra as convenções da idade e da doença é o animado Angelino Celestino dos Santos. Aos 57 anos, é carpinteiro aposentado por invalidez, fora de ação após três enfartes. Os problemas de pressão o obrigam a tomar quatro remédios diariamente. É a fala ininterrupta e alegre de Angelino que serve de ''fundo sonoro'' para os exercícios do pessoal. De início, ele saiu bem na frente do restante, exibindo energia. Depois percorreu o trajeto do passeio a passos leves, fazendo companhia a Dona Francisca Moreira de Oliveira. Como apresentar tanta alegria de viver depois de tantos problemas de saúde? ''Não vou viver feliz se me entregar à doença. Não é mais como antigamente, mas ainda assim é muito bom viver'', assegura.


