TEXTO SAGRADO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de outubro de 2009
Paula Costa Bonini<br> Reportagem Local 
Cada religião interpreta as mensagens de Jesus Cristo conforme as próprias conveniências; problema estaria na aplicação equivocada
É o livro mais antigo e lido da história da humanidade. Também é o que tem o maior número de publicações e traduções em todo o mundo. A Bíblia Sagrada rege a vida dos cristãos, que correspondem a aproximadamente 90% da população brasileira. Há mais de dois milênios, os ensinamentos de Jesus Cristo transformam vidas, mas também causam polêmica.
Os trechos que condenam determinadas condutas e que narram a criação do mundo provocam opiniões divergentes entre diferentes povos. Além disso, existem diferentes interpretações. Por isso, a Bíblia Sagrada é, sem dúvida, um dos livros mais discutidos - e comercializados - no mundo inteiro.
O Brasil é o segundo país do mundo em venda de bíblias, perdendo somente para os Estados Unidos, afirma Russel Shed, que é missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil, Pós doutor em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e autor de vários livros.
Shed, que é um dos maiores estudiosos da Bíblia no Brasil, esteve recentemente em Londrina, a convite do Centro Universitário Filadélfia (Unifil). Nesta entrevista ele fala sobre o desafio de aplicar os ensinamentos da Bíblia nos dias de hoje e critica a aprovação do acordo selado entre o Brasil e o Vaticano. Nós temos como princípio um país secular e não um país que tem o Vaticano como um Estado.
Qual a importância da Bíblia na vida das pessoas?
Nós temos a revelação de Deus por meio da criação, mas não há palavras. Se Ele não tivesse inspirado esse livro estaríamos totalmente sem entender de onde viemos e para onde vamos. A confiabilidade do livro sagrado mostra a importância dele. A pessoa que lê e segue os ensinamentos da Bíblia leva uma vida com paz, amor e piedade. Não basta ler a Bíblia. É preciso levá-la a sério.
Cada religião interpreta os textos sagrados conforme seus preceitos. Existem interpretações erradas?
É fácil de errar na interpretação. Nós estamos lendo um livro que foi escrito há quase dois mil anos. É um desafio tremendo aplicar os ensinamentos da Bíblia nos dias de hoje. Acredito que não é tanto interpretação errada, mas aplicação errada. Por exemplo, temos na Bíblia que precisamos guardar os dias de sábado. Algumas religiões fazem isso, mas a grande maioria não toma isso como essencial. Não é algo obrigatório e que vai garantir a nossa salvação.
É possível seguir os ensinamentos da Bíblia na atualidade?
Temos que buscar os princípios morais e espirituais, pois Deus não mudou. É importante entender o que siginifica viver amando o próximo como a nós mesmos e amar a Deus de todo coração. Mesmo que a situação tenha mudado completamente. Amar é amar.
Os textos sagrados, no entanto, contêm trechos polêmicos como o que prega a submissão da mulher ao marido...
Eu não vejo grande problema nisso se o homem ler a responsabilidade que ele tem de amar a sua esposa como Cristo amou a Igreja.
A quantidade de igrejas evangélicas que surgem constantemente em todo o Brasil vem chamando a atenção nos últimos anos. Qual o motivo desse boom?
Há vários motivos. O importante é que Deus esteja ao lado de todos. Eu estive em uma cidade em Goiás e fiquei impressionado com a Igreja Mundial do Poder de Deus. É uma igreja muito recente que atrai muitos fiéis, pois o pastor enfatiza que Deus cura as pessoas. A tendência é que novas igrejas continuem surgindo no Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos é o contrário. Nesses locais a resposta para as necessidades humanas é a educação, a ciência, o investimento.
Recentemente a Câmara dos Deputados aprovou o acordo entre o Brasil e o Vaticano que está sendo alvo de críticas por privilegiar a Igreja Católica. Qual a opinião do senhor sobre isso?
Nós temos como princípio um país secular e não um país que tem o Vaticano como um Estado. E nem queremos um Estado como os países mulçumanos. Nós temos uma ideia muito diferente e tolerante, o que é fundamental para a nossa sociedade. Isso não vem de Deus, pois Ele não nos força a nada. Antes dos protestantes chegarem aqui, há 150 anos, a pessoa não tinha muita escolha. No entanto, com a chegada do Evangelho e da Bíblia as coisas mudaram.


