Testemunha de chacina chega ao Rio
RIO - Uma das testemunhas da chacina da Candelária, Wagner dos Santos, chega hoje à cidade, proveniente da Suíça, onde vive desde que resolveu depor no caso. Ele irá direto para a sede da Polícia Federal, onde ficará até quarta-feira, quando acontecerá um segundo julgamento.
Ontem um dos sobreviventes da chacina, Barão, de 16 anos, foi enterrado no cemitério do Catumbi. Ele foi morto na sexta-feira, durante tiroteio entre policiais militares e traficantes, no morro da Chacrinha, na Tijuca. Os PMs disseram desconhecer que o menor morto era um sobrevivente da chacinha. Segundo eles, a vítima do confronto era um segurança da boca de fumo do morro. Agora, alegar que alguém é traficante justifica qualquer morte e arbitrariedade cometidos pela polícia, afirmou a diretora do Centro Brasileiro de Defesa da Criança e do Adolescente, advogada Cristina Leonardo.
Ela, porém, não está certa de que a morte de Barão tenha realmente relação com o julgamento. Cristina explicou que o garoto não iria depor. Para protegê-lo, nós o utilizamos como prova antecipada, informou. Ele não era importante para o julgamento.
A advogada e a artista plástica Yvonne Bezerra de Melo - que defende menores de rua - organizaram o enterro de Barão, que foi acompanhado por cerca de 20 pessoas, meninos de rua, em sua maioria. Eles negaram que Barão pertencesse ao tráfico e disseram que o garoto estava jogando fliperama quando foi atingido por uma bala de fuzil. Segundo Cristina, os meninos de rua estavam revoltados e não paravam de repetir que havia relação entre a morte de Barão e a chacina da Candelária. Não sei o que ele estava fazendo no morro, mas o que mais tenho visto é que a maioria dos meninos de rua ganha dinheiro, mesmo, como mão-de-obra do tráfico, admitiu Cristina.





